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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

PORRADA! PORRADA! PORRADA!



26 de outubro de 2002, sábado.

Eu lembro bem da data, pois estava me arrumando para a festa diferentona de 15 anos da minha amiga.
Saí do meu quarto, com minha blusa nova, azul bebê, mangas compridas e esvoaçantes, como era moda na época; passei pela sala, onde minha mãe estava sentada no sofá com um cara que tinha acabado de chegar; sem dar um piu ou um olhar de relance pra ninguém, e fui pra cozinha pegar algo. Provavelmente água.
Na volta
- Minha filha, cumprimenta o Léo.
- Boa noite, Leonardo (naquela cara de cool que só um adolescente sabe fazer).
- O nome dele é Aleones...
- Boa noite, seja qual for o seu nome.
E saí para o meu quarto numa mix de sensações: vergonha, "ai, que mico!", ódio, revolta, superioridade, etc.
Nos conhecemos nesse dia.

Não sei quanto tempo depois, minha mãe e o tal Léo começaram a namorar. 


Mãe e Léo


Mais um tempinho e ele foi morar com a gente e, não sei como, ficamos amiguinhos. Altos papos!
Mas eles se mudaram para um bairro mó afastado porque minha vó viria morar no ap que morávamos, que por sinal é dela. Fiquei no meu cantinho, não 'redei pé e morei com minha vó.

Minha vó, como boa fazendeira, não aguentou o pique da capital e voltou pro interior. Lá vai eu morar com minha mãe e o Léo.
E aí  foi embora o boi com a corda. 🐂
Eu lembro exatamente como foi nossa primeira briga. Mas não convém contar aqui.
Ficamos dias sem nos falar! Minha mãe não notou. Até que eu mesma contei pra ela.

Eu vou dar um super resumida!!
Porque não convém expor todas as feiuras que fizemos e não teria espaço aqui...
Pensa num povo treteiro!! 😠
Daí em diante foram brigas, silêncios, afrontas, desrespeito, ofensas... e beirou, mas não chegamos lá, a pancadaria.

O relacionamento dos dois passou por idas e vindas. Antes e depois de eu me mudar para Belém, em 2011. Nessa época eu já o odiava menos. E quando eu digo odiar - e eu não me orgulho disso! - era ódio M E S M O.
Eu vinha visitar minha mãe e nunca sabia se os dois estavam juntos ou, como ela dizia, se era só amizade. Só sei que eu faltava ter uma síncope quando chegava na casa dela e ele estava lá ou ia visitá-la. "Porra! Que amizade o quê? Não acabou?"; "O que esse cara tanto faz aqui?". Nessa época eu oscilava entre ter raiva e ter antipatia.

Setembro de 2015.
Eu me mudei para Goiânia. As coisas entre nós já estavam bem mais civilizadas. Tínhamos ensaiados momentos de tréguas e até de genuína amizade.
E eu precisava de um faz-tudo. 😳
Móveis para montar, vazamento pela janela em época de chuva, prateleiras para instalar, etc, etc, etc.
O Léo sempre foi um excelente faz-tudo. E começamos a ensaiar mais uma vez uma boa relação. E era boa. Mas era fria.
Afinal, pensa num povo do coração bão! 😄

7 de fevereiro de 2016, domingo.
Passei todo o dia com "pressão baixa"; mal estar, tontura, falta de ar. Ele esteve aqui para montar um móvel que eu tinha comprado. Fiz companhia, conversamos, servi lanche. Ele terminou e foi embora. Eu fiquei, passando mal. Eu não disse nada, dias assim não eram incomuns. Mas eu não sabia que este seria o início do meu primeiro, e único, surto.

Ah! Minha mãe arrumou um namorado em algum momento do primeiro semestre. 😁


Marcus Vinícius e mãe

Com o passar das semanas, os sintomas pioraram e ainda não tínhamos um diagnóstico.
Foi então, que o Léo, num gesto de amizade, dentre tantos outros, ligou para minha mãe para saber como eu estava e como ela estava com tudo isso. E ele se ofereceu para me fazer uma visita. Se não estou enganada, a suspeita tinha acabado de surgir e ela estava com receio de eu ficar "sozinha" (o marido estava comigo).

E a visita foi tão legal. Ele foi tão amável, positivo, parceiro! 💖

Bom, daí foi só ladeira acima!

Em agosto, minha mãe fez a festa de aniversário dela. E agora pirem: EX e ATUAL se uniram para fazer uma festa linda!



No começo foi torta de climão, sim! Mas ali na festa as coisas já foram entrando no eixo.
E com o tempo, tudo foi ficando natural. E hoje eles são miguxos!
Isso sim é evolução, né, gente? 😇

Ele continuou ajudando em todas as "obras" da casa. Quando decidimos fazer o casamento, ele foi membro desde o primeiro "comitê" formado para planejamento! 😂


Eu, mãe, Léo e Tiago na primeira reunião para planejar o casamento, já no local que faríamos a celebração


E quando fomos escolher três padrinhos e três madrinhas, eu falei para o marido: Por que a gente não chama o Léo? Ele tem sido tão presente nesta nova fase da nossa vida. Aliás desde a mudança, etc.
E ele gostou da ideia!

E olha como ele e meu irmão aproveitaram todos os momentos para fazer piadas e matar a gente de rir.


Provando as roupas para a cerimônia

O Léo fez de T U D O um pouco.
Só para vcs terem ideia, espiem!


Estão vendo esse altar lindo, com essas cortinas e tudo mais? Foi planejado e montado pelo Léo


E esse portal lindo? Ele montou!


Trabalho braçal, emocional, fraternal.
Teria melhor escolha para padrinho? Não!


Ele entrou e saiu com a Micaela, sempre sorrindo. O sorriso e a risada dele, eu tenho que confessar, sempre me agradou



Me deu os abraços mais sinceros


E também cumprimentou o marido com muita alegria


E pra mim, pra nós, foi muito importante casar sob as bençãos dele. Dos três: Léo, Bruno (cunhado) e Jedai (irmão). Agora? Pirem: eu ate peço bença... rs

Mas o passo mais importante dessa nossa nova relação, foi quando eu estava lá em Madri: às vezes a gente se falava pelo whatsapp. Trocávamos experiências, novidades, conselhos. 


Blogayriane


E um dia, sem muito porque, eu falei. Muito. Tudo. Tudo que eu vinha me sentindo mal desde o meu surto. Talvez desde um tempinho antes. Pedi desculpas. E quando ele me perdoou, eu me perdoei também. 

Bom, eu errei muito. Ele também. Nós erramos. Mas não importa mais quem começou. Não importa mais o que passou.

E este ano, já começamos com muitos planos para mexer com a vida de todos juntos!


Léo, Vinícius, Tiago, mãe e eu 
(Faltou a Gabi, mina do Léo)


E eu gosto tanto dessa história, que resolvi compartilhá-la com vcs.
Espero que também gostem e que esta história inspire outras.
💕


Obrigada, Padrinho! 😘
(Léo e a Mulambyane que existe em mim)

















segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Reforma Íntima

A gente sempre tenta ser "bonzinho". Aprendemos muito cedo que "Papai do Céu" está olhando, que é "pecado" fazer isso ou aquilo, que Jesus não gosta de "menino mau". Mas a gente entende realmente o que é ser uma pessoa melhor?

Claro que, como todos, sempre tentei ser uma boa pessoa. Mas só entendi o que isso realmente significa, quando fui morar sozinha, em Belém. Sabe aquele "você pode aprender na dor ou no amor"? Bom, como a maioria das pessoas, eu "escolhi" aprender na dor. Colocando as coisas em um calendário, entre 2012 e 2013 fiz a mim mesma a proposta de MUDAR!

Bom, todos aqueles que se fizeram a mesma proposta sabem: mudar não é nada fácil! Pense bem: você foi, por exemplo, uma pessoa impaciente a vida toda. Por 27 anos! Não é porque vc decidiu que vai mudar, que isso de fato vai acontecer. Eu sempre digo: mudar é mais que uma questão de decisão. É uma questão de prática!

Pois bem, a EM me deu a oportunidade dessa reforma.
Noooooossa! Madre Teresa de Calcutá! Depurada pela provação da doença!
😂😂😂😂😂😂
Não! Infelizmente não foi nada disso!

Eu não sei explicar. Mas me transformei. A minha perspectiva da vida, das pessoas, dos acontecimentos e de Deus mudou. Uma hora eu posso falar mais sobre isso. Mas resumindo, os sintomas foram aparecendo e, acho que para não me desesperar, eu pensava: Deus sabe o que tá fazendo. Vai terminar tudo bem! E deixei a maré me levar. Para não dizer que não fiquei revoltada, teve um episódio que me tirou do sério.

Quem gosta de comer sabe que COMER É VIDA! E quando vc precisa se distrair, descontar a raiva, comemorar, VOCÊ COME!!!! Acontece que um belo dia MINHA BOCA FICOU DORMENTE!E mais: EU NÃO SENTIA O GOSTO DA COMIDA! DÁ PRA ENTENDER??? 😬
Chegou no fim do dia, com tanta coisa E AINDA MAIS ESSA, eu chorei de ódio! 😭

Enfim, eu mudei. Minha mãe, meu irmão, o marido... todos mudaram. E minha relação com minha família ficou bonita, calma, amorosa... Obviamente, ainda tenho muito o que mudar.Crescer, amadurecer, ser paciente, amorosa A perfeição é algo tão distante de nós encarnados, que acho que nem sabemos o que é. Mas é importante seguirmos adiante.

Bom, e o que é essa tal Reforma Íntima do título?
Pessoalmente, acredito que essa reforma é a expressão máxima de "ser cristão". Ou de SER HUMANO!
Tem uma frase de Allan Kardec que diz: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações.

E se nós substituíssemos "verdadeiro espírita" por " boa pessoa" (não vamos confundir com o famoso "cidadão de bem" que está muito mais para julgamento...)? Pois bem, essa reforma é nossa disposição em buscar nossa verdadeira transformação, em buscar fazer o bem para nós e para os outros. É nossa disposição de amar os desafetos. Mas Mel, eu tenho que amar as inimigas? Então... Jesus diz que sim... mas como isso é meio MUITO DIFÍCIL, que tal se a gente começar não desejando o mal? Depois a gente faz uma oração ou medita algo do tipo: que os desafetos (tira a palavra "inimigas", ok?) sigam seus caminhos e sejam felizes. Enfim, tentar, de todo o seu coração, verdadeiramente, "domar suas más inclinações".

Se eu consegui? Um pouquinho... mas algumas coisas que eu conquistei e que me deixaram muito contente comigo mesma foram:


  • Eu aprendi a conviver melhor com minha família. Mesmo pensado diferente, mesmo achando mil coisas um absurdo, mesmo com toda aquela bagunça que toda família tem;
  • Eu perdoei minha mãe. Ela é uma péssima mãe? Não! Eu sou uma péssima filha? Talvez... O fato é que tínhamos uma relação complicada. Um dia eu falo sobre. Mas eu resolvi deixar essas diferenças de lado e hoje estamos bem. Muito bem! Se nunca mais brigamos? Brigar brigar não. Discordamos, argumentamos... e, finalmente, não passamos disso;
  • Eu me tornei uma pessoa menos ansiosa (ansiosos entenderão! 💕);
  • "Ganhei" um tiquinho de paciência;
  • Eu já tinha religião, mas é a primeira vez que tenho fé;
  • Estou finalmente desenvolvendo minha mediunidade;
  • Aprendi a ter humildade pra pedir ajuda e paciência pra esperar as pessoas estarem disponíveis.
Eu aprendi também outras coisas. Grandes e pequenas. E por todas essas coisas, eu fico feliz. Acredito no famoso: "Deus escreve certo por linhas tortas.". E acho que a EM veio também pra somar. Aliás, acredito piamente que se eu não tivesse a EM, eu ainda não teria dado esse pequeno passo no longo Caminho da Evolução. 😁



Parte da minha Família! 💗
(Mãe, Toddy, Eu, Nala, Marido, Irmão)





























segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Meu Blog em Duas Tatuagens

Dia 23 de novembro deste ano, fiz duas tatuagens:

1. A Nala, minha West Highland White Terrier, ou simplesmente West Terrier, ou ainda Westie. Nala é minha companheira desde o dia 3 de janeiro de 2014. O marido quem me deu, depois da minha primeira, e graças a Deus!, única crise séria de Pânico que tive (uma hora falo sobre esse assunto...). Desde então, ela só não vai para onde não podemos levar (Alô, sociedade! Precisamos de mais lugares pet friendly!). Vcs certamente terão notícias da Nala por aqui, tanto quanto da Esclerose 😂😂


Tandaaaaannn! \o/

2. A primeira frase da Oração de São Francisco de Assis.


Páh!

Para cada tatuagem eu fiz um post (Ai, que badalo!). E quando postei a foto dessa segunda tatuagem, contei que a fiz por causa do meu diagnóstico da Esclerose Múltipla (EM) e contei parte da minha história.

E... olha! Eu não imaginava que viraria o que virou.

Foram tantas mensagens de apoio, carinho, oração... mas o que mais surpreendeu foi o tanto de pessoas que se interessaram pelo assunto, que não conhecem direito a doença, que também passaram por provações e se conectaram com o post, e pessoas, PASMEM, que se viram diagnosticada pela mesma enfermidade, mas estão mais perdidas que azeitona em boca de banguelo! Não sabem nada sobre o assunto... 

Um dia vou passar para o blog este post. Eu suma, eu resumi meus sintomas, minha guinada na vida espiritual e porque estava me expondo daquela forma: "E EU CONTO PRA TD MUNDO! Conheci um portador q escolheu n contar p qse ngm. Ele tb está certo! Ngm precisa saber q vc tem uma doença incurável! Mas resolvi o contrário, pois boa parte do sofrimento da minha família, foi a falta do conhecimento dessa #doencaautoimune."

A verdade é que eu já tinha pensado em escrever sobre o tema e até já tinha sentado pra escrever um pouquinho. Mas este pouquinho virou MUITO e eu ainda não havia chegado na metade da minha história. Então, a lindona da Camilinha e minha mãe (suas lindas!💕) me deram ânimo para algo que eu estava pensando em pensar em fazer (hahaha): um Blog!

A minha preguiça do blog é porque não sou assídua, mas tentarei manter uma frequência.

Não sou especialista, não sou conhecedora, não sou nem daquelas pessoas que correm no Google para pesquisar as coisas. Aliás, a primeira coisa que NÃO fiz quando veio a suspeita do diagnóstico, foi pesquisar na internet. Neca de pitibiribas! Eu conhecia o suficiente para me desesperar e para saber que não precisava me desesperar! hahahahahaha... Esperei o diagnóstico ser concluído e ouvi tudo que precisei do meu médico. 

Então, com a promessa de que manterei um ritmo e de que o próximo post sera falando o que é a doença, vou encerrar aqui tentando transcrever da forma sucinta e fiel essa minha conversa com meu neurologista gente finésima!

- Mel, vc não precisa se preocupar. Hoje um paciente portador da EM leva uma vida normal. Nós vamos iniciar este tratamento e vamos acompanhar. Se vc não se adaptar, tentaremos outro.
- Certo... tenho uma preocupação com comida. Tem alguma coisa que eu não possa comer? Posso comer chocolate?
- Não tem restrição alimentar.
- E em relação às atividades do dia a dia? Vou ficar assim pra sempre?
- Não. Como te disse, vc está na crise... não acredito que vc ficará com nenhuma sequela permanente.
- Eu posso fazer atividade física?
- Deve!
- Mas eu não consigo nem ficar em pé!!! E tudo me deixa cansada..
- Isso vai passar. Vc vai aprender a conhecer seus limites e encontrar um atividade que te faça bem e não te deixe exausta.
- Certo... e olha só... eu RARAMENTE bebo. Mas de vem em quando, se eu sair, posso beber?
- Pode sim. Se vc fumasse, aí sim eu iria te aconselhar a parar! Mas como vc quase não bebe...
- Bom... e a vida sexual?
- Pode ficar tranquila que vale o mesmo que vale para as atividades físicas!

E fiquei ali por mais de uma hora (sim! meu médico já ficou mais de 1h hora comigo no consultório dele!), tirando dúvidas e recebendo dicas e instruções! 😉