terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sua História no Diário De Uma Esclerosada por Ana Laura de Souza Carneiro

Geeeeeenteemmmm!

Eu sei que não sou uma blogueira exemplar, mas ultimamente estou de parabéns... 😳

Mas ó, é como eu já falei aqui e tenho repetido no Instagram @odiariodeumaesclero: eu ainda estou entrando no clima... Cêis vai me perdoando, que eu vou me alinhando. 😊

E hoje eu estou trazendo para vcs o Sua História no Diário De Uma Esclerosada, que foi enviado pela Ana Laura. Olha que atenciosa, que caprichosa e que história.

Eu gostaria de dizer a todos que passaram e que passarão aqui no Diário que é uma honra ser portadora da história de vcs. Que é uma honra que vcs me confiem essa saga que é a própria redescoberta. Que é uma honra ser irmã de batalha de todos vcs! 💕

Sem mais delongas, senhoras e senhores, com vcs: Ana Laura!


 "10/02/2015: O início de uma nova fase na minha vida – Fase Montanha Russa
   Em outubro de 2013 começaram as dores, uma dor forte que andava me incomodando logo no final da coluna. Marquei meu primeiro ortopedista e se iniciou minha saga, chegando ao médico expliquei a dor e logo sai com pedidos de raios-X, fui direto ao meu convênio e fiz os exames, marquei o retorno que demorou uns 30 dias. Nesses dias eu sentia dor nas costas e um choque que ao abaixar a cabeça percorria da nuca até meu pé. No dia da consulta ele viu meus exames e eu lhe disse que estava sentindo choques de dor e ele apenas disse que nos exames não havia nada e que devia ser falta de exercícios, sai de lá com dor e com um pedido de RPG (Reeducação Postural Global).
   Para a minha surpresa RPG não constava no rol de procedimentos que o convênio aceitava cobrir, e fiquei por alguns meses assim: com dores e sem nenhuma saída.
   Decidir marcar outro médico, ele viu meus exames e solicitou uma ressonância na coluna, fiz e o levei, mas nada havia, saí com mais pedidos de fisioterapia, 60 sessões e nada se resolvia.
   Com as dores na coluna e o choque persistindo, comecei a andar tropeçando como se a perna não respondesse, fui perdendo movimento da perna e do braço, enquanto os formigamentos aumentavam. Tive que marcar outro ortopedista, e o mesmo olhou os exames e disse que eu deveria tomar uma fórmula, tomei por 20 dias como se tivesse tomando tictac, e os sintomas persistindo, piorando meus movimentos. Cheguei a marcar outro ortopedista em outra cidade ele viu todos meus exames e me disse que estava tudo normal, além de soltar esta frase: “Você precisa parar com isso e voltar a trabalhar” como se o meu problema fosse esse.
   Passado o desaforo anterior, marquei então outro, que se interessou pelo meu caso, dizendo que ficar tanto tempo com dores e sem melhoras não era nem um pouco comum. Solicitou-me mais exames, os mesmos estavam normais e recebi um encaminhamento para um neurologista, pois já fugia de sua área de atuação.


   Foi então que marquei meu primeiro neurologista. Levei todos meus exames e ele me pediu pra me levantar, ir até a porta e voltar. Quando reparou em minha situação me questionou porque estava andando mancando e expliquei tudo à ele, que solicitou uma ressonância de crânio e o líquor, pois ele estava desconfiando de Esclerose Múltipla.


   Estava eu novamente na máquina: duas horas passaram dentro de uma sala fria, sozinha, com todos aqueles barulhos e meu nervosismo com o contraste; o liquido entrou queimando, me dando espasmos enquanto levava bronca pra ficar quieta... Passado os dias o convênio autorizou meu líquor e lá fui pro centro cirúrgico, outro lugar nada agradável, algumas horas se passaram e então pude repousar em casa.

Com todos os exames em mãos, aguardando o retorno, meus sintomas pioraram. Com medo resolvi ir atrás de outro médico e achei um especialista em Esclerose em outra cidade, na sala perguntou-me o que estava acontecendo:
   - Dr. faz dois anos que estou atrás da resposta. - disse-lhe.
   - Ele hoje você sairá daqui com a resposta.

Naquele dia sai com a resposta e mil dúvidas, pois naquele 10 de fevereiro de 2015 fui diagnosticada com Esclerose Múltipla.

Sou Ana Laura, tenho 32 anos e num piscar de olhos tudo muda, tudo se transforma, um dia de cada vez, lutas diárias, medos, frustrações, mutações. Saber lidar com o novo não e fácil.
Sou sobrevivente de uma guerra, e a única arma que utilizo é meu sorriso, minha força de lutar, e sempre sendo grata a ele que tudo pode.

Na dor é que obtive meu crescimento..."



Imagem enviada pela querida Ana Laura



terça-feira, 3 de outubro de 2017

Londres

Oi, pessoinhas!
Como estão?

Eu estou bem, obrigada! 
Ainda não estou bem instalada em Goiânia, porque vamos nos mudar. Então ainda estamos procurando um lugar, não desfizemos todas as malas e estamos acampado na casa da minha mãe. Afinal, não vale a pena religar internet, TV a cabo, etc.

Mas vamos ao que importa: LONDRES!!!!



Eu não me lembro quando nem como começou essa minha paixão por Londres. Só sei que em algum momento, eu me peguei completamente alucinada pela cidade! Eu desejava, mais que qualquer outra viagem, estar ali. Eu era/sou apaixonada por aquele sotaque. Encontrei-me arrependida de ter "investido" mais no inglês norte-americano que no britânico. Ficava besta com os filmes que eram ambientados ali. Sobretudo, os de época! Enfim, uma paixonite aguda!
E pensava constantemente: não posso morrer sem ir lá!

Pois bem. Depois que mudamos para Madri e depois de tantos "vai dar certo de irmos" e "não vai dar certo de irmos". fomos!!!! 😍

E eu nem sei por onde começar! Só sei dizer: preciso voltar lá!

Bom, fomos recebidos por uma pessoa muito especial: Camilla. Fomos muitíssimo amigas na sexta série do ensino fundamental, hoje sétimo ano. Mas seguimos rumos diferente e perdemos a intimidade. Mas ela não mediu esforços em nos hospedar, ajudar, guiar... e acabamos por conhecer sua família. Em especial o João Pedro, esse delicinha aí da foto:


Eu, Camillinha e João Pedro


Como fomos no final da nossa estadia em Madri, fomos com o dinheiro contado! 😅
Mas sabe uma coisa maravilhosa de Londres? Tem passeio de graça a torto e a direito! Os Museus? Todos de graça!!!

Chegamos quinta no comecinho da noite e fomos para a casa dela. Conversamos e comemos pizza até tarde.
Eu sou conhecida pela incrível por ter em meu dia a dia uma série incontável de "Isso só poderia acontecer com vc!" que chamaremos aqui de "SÓ PODIA SER VC". Tanto para coisas ruins, quanto para coisas boas. 😁

Na sexta pela manhã, aconteceu meu primeiro "só podia ser vc": houve um atentado numa estação de metrô em Londres. Para mostrar melhor o meu "só podia ser vc", abaixo tem um mapa das linhas de metrô da cidade. Dentro de um quadrado lilás, no canto inferior esquerdo, destaquei as duas estações das quais vou falar. O atentado foi na estação Parsons Green, que está no quadrado vermelho. Nós pegaríamos o metrô na Putney Bridge, no quadrado rosa. Programamos para sair bem cedo, mas enrolamos muito conversando e tomando café da manhã. Quando saímos de casa, o Tiago ainda achou que tinha esquecido o cartão do metrô. Correu na casa, só pra perceber que estava em seu bolso. À caminho da Putney Bridge, minha amiga liga e diz: Mudanças de planos. Não peguem o metrô! Eu não tenho dúvidas de que esse atraso foi Providencial!


Apesar da cidade seguir sua vida da forma mais normal possível, porque como turistas não notamos alvoroço (só trânsito lento e helicópteros nas proximidades), tentei imaginar como seria viver assim, com esse medo iminente. Ali, existem muitas regras, que permeiam o dia a dia dos cidadãos, com o intuito de prevenir estes acontecimentos. Por exemplo: vc não pode por sacolas, bolsas e mochilas no chão. Muito menos se afastar delas! Não foi nada fácil tentar me colocar no lugar destas pessoas. E olha que eu acho que não tenho a verdadeira noção do que é...

Continuamos com nossa programação. No nosso primeiro passeio, fomos realizar um desejo antigo: conhecer o Natural History Museum.


Nós e Darwin


E que lugar sensacional!


Entrada do Museu com os característicos esqueleto de Baleia e estátua de Darwin


Fóssil de Mamute


Entrada da exposição sobre a Terra com o fóssil de um dinossauro e uma escada rolante (ao fundo) que entra em um planeta em formação.


Eu poderia colocar todas as fotos que tirei aqui e ainda assim não conseguiria mostrar toda a beleza do museu. Até porque, chegamos quando abriu, por volta de 10h, fomos expulsos ao fechar, às 17:50h, e mesmo assim não conseguimos ver tudo! 💔

O segundo "só podia ser vc" foi que o famoso fóssil do Tiranossauro e algumas partes muito massa da paleontologia estavam em manutenção e não pudemos ver! 😡

Saímos dali e passamos na frente do Buckingham Palace, que foi o ponto alto da minha decepção. Por fora, ele é muito sem gracinha. O parlamento é beeeeeem mais lindo.
Ah! Não entramos por motivos de: 23 libras Lembrando que 1 libra custa pouco mais de 4 reais)!


Buckingham Palace


De noite andamos pela cidade e voltamos para casa. Mas tem uma coisa que eu estava notando: não tenho fotos boas de lá. Sabe aquelas que vc olha e pensa:  Porta retrato, certeza!"? Ainda não vi as fotos da máquina... Oremos!
Enfim...

No dia seguinte, sábado, fomos turistar com Camillinha e João Pedro.
Começamos com o basicão dos turistas. Descemos em Westminster Station e quando saímos demos de cara com ele: BIG BEN! 

E aqui nós damos uma parada no meu terceiro "só podia ser vc": desde sua construção é a primeira vez que o Big Ben fecha para reforma. 👍
E uma reforma que durará 5 anos!!! 👍👍


Mas mesmo assim, eu estava tão feliz que, pra variar, saí de olhinhos fechados na foto

Passeamos pela rua, atravessamos a Westminster Bridge e fomos até a London Eye. Mas só pra olhar mesmo... 😅
Dinheiro contado, lembram?

Voltamos pela ponte e fomos até à porta da Abadia de Westminster, que também, por fora, não é láááá estas coisas. 


Quando estávamos indo embora: Pá! Chuva! E volta a gente correndo para a lojinha da Abadia, que ainda não tínhamos entrado. E não é que foi bom? Comprei ali um pin dos cachorrinhos da rainha (Corgi) com uma coroa! 😆
Acho que foi uma das lembrancinhas que eu mais gostei! 😍


Seus cachorrinhos são super famosos e amados em Londres


Pegamos um barco em Westminster Pier. Em frente a London Eye, só que do outro lado do rio. 



Ele não é turístico, é trasporte público mesmo. Então pagamos "só" 6 libras. 


Saindo do Píer 

Passamos por baixo dessa lindona aqui: 





Tower Bridge


Dá pra perceber que o climinha estava uma delícia, do jeito que eu gosto! Um friozinho de chuva, sabe? Apesar de que, às vezes, é melhor não estar nublado. Mas pra mim, estava tudo perfeito! 😀

Descemos em Greenwich, mas ficamos do lado errado do rio e não vimos a linha do Meridiano de Greenwich. 😐

Demos uma passeadinha, comemos uma besteirinha em uma feira gastronômica com barraquinhas de diferentes países e partimos para Camden Town, bairro de Amy Winehouse.

Em Camden Tow comemos bem por um preço justo, vimos gente de todas as tribos, entramos em um trilhão de lojinhas de souvenir (coisa que o casal aqui mais ama fazer, apesar de não poder comprar!) e achamos lembrancinhas beeeeeeem mais baratas. Por exemplo, queríamos comprar um vidro quem dentro vem uma "espuminha" no formato dos pontos turísticos. Chegamos a encontrar por 15 libras. Numa lojinha batuta lá em Camden, encontramos por 2 libras! Negócio do século! 😎


Camden Market

E de noite voltamos nela!





Mas aí, meu povo... aí veio domingo! E com o domingo veio meu dia no Warner Bros Studio Tour!
Outra vez: qualquer quantidade de fotos e vídeos será insuficiente! E olha que tenho muuuuitas fotos e vídeos!
Mas vou mostrar um pouquinho pra vcs:


As roupas originais utilizadas para gravar os filmes


A mesa da festa do Torneio Tribuxo


A cama do Harry Potter 


A entrada da Câmara Secreta



A Floresta Proibida


A cerveja amanteigada (que é horrível) e o ônibus de três andares



Essa cena inesquecível!


Uma das pontes do Castelo


Uma das faixadas do Castelo


Outra faixada


Essa maquete é imensa, incrível e indescritível!


Foi maravilhoso!
Um muito obrigada ao marido que me deu o melhor presente de aniversário de todos os tempos!!!! 💖

Na segunda, fomos muito rápido ao Museu de Londres, que também é bárbaro!


Ele conta a história de Londres desde a Pré-história até os dias atuais. Mas tivemos correndo que passar por tudo, porque nosso voo era no meio da tarde. E até que chegássemos ao aeroporto, passássemos pelo controle de segurança... 
Aaahh! E a saída foi mais complicada que a entrada. Eles revistaram cada pedacinho das nossas bagagens, fizeram perguntas... mas deu tudo certo! 

Chegamos em Madri dia 18 e zarpamos para o Brasil dia 20.
Mas essa uma história (cabulosa) para outros capítulos!
Até mais, gente! 😘















segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Sua História no Diário De Uma Esclerosada por Aleksander Cattoni Costa

Oi, Pessoinhas! Tudo bem?

Espero que todos tenham começado a semana com o pé direito. 
Aqui, sempre que possível, começamos a semana com A Sua História no Diário. E hoje, nosso "convidado" é o Aleksander. Ele tem 28 anos, é de BH, Minas Gerais e tem EM há 2 anos e pouquinho.

Respeitável público, com vocês, Aleksander!




"Meu nome é Aleksander Cattoni Costa, tenho 28 anos, solteiro, residente em Belo Horizonte – MG e fui diagnosticado em 15 de julho de 2015. No começo, mais precisamente nos seis primeiros meses a partir do diagnostico tive muita dificuldade em aceitar a doença, perdi muito peso e confesso que quase entrei em depressão. Porém no início de 2016 me animei novamente, tomei a decisão de que sou muito mais forte do que a EM, voltei para a academia e aos poucos fui recuperando meu peso e minha vontade de viver! Meu medicamento é o Rebif, o utilizo 3x por semana como injeção subcutânea. No começo sentia dores no corpo e febre, mas hoje em dia não sinto uma reação sequer do remédio e minhas lesões estão estagnadas sem nenhuma nova ou ativa. Minha família e amigos demoraram um pouco para entender e aceitar que eu era  o “Esclerosado” da família, mas hoje todos me apoiam e entendem o que é ter essa “amiga” todos os dias com você, principalmente minha noiva,. Essa sim me apoiou desde o início e me encoraja a seguir os meus sonhos.
Acredito que muito do meu tratamento estar sendo bem sucedido hoje vem da minha força de vontade, da minha fé e dos exercícios físicos que desde que acetei a EM voltei a me dedicar. Graças a Deus não tenho nenhuma sequela. Tive apenas um surto esse todo tempo, quando eu ainda nem tinha começado o tratamento. Vivo uma vida normal. Às vezes com um pouco de fadiga mas nada que me atrapalhe de seguir a minha rotina. Mesmo com todas as dificuldades eu vejo que a EM me fez mais forte e querendo ou não temos que ter força para seguir essa vida. Afinal de contas ainda sou jovem, tenho muita coisa pra viver ainda e a EM NUNCA vai me parar!!"

sábado, 9 de setembro de 2017

A Novela do Anticoncepcional

Olá, pessoas!

Bom, voltei e voltei para reclamar! 😂

Eu já havia falado aqui com vcs sobre o anticoncepcional. né?


Pois bem! Resumindo: eu uso anticoncepcional desde fevereiro de 2005, se não me engano. Comecei com a pílula Yasmin. Depois passei para o YAZ. Nos últimos 2 ou 3 anos comecei a usar o Nuvaring, que é um anel de silicone inserido na vagina (Não, não incomoda nadica de nada!). Quando eu tive a primeira crise, estava sem usar o Nuvaring, por motivos de: marido ficaria longe por uns 3 meses... Mas depois que eu entrei na crise, e mesmo depois de sair dela, eu não menstruava mais! Foram 8 meses sem ter sinal da danada da menstruação. Pode parecer bom. E foi... só que também não foi. Então fui ao médico, que não queria me liberar para usar o hormônio. Beleza... mas não aguentei. Um mês depois voltei lá e falei: quero esse hormônio NOW! E pronto: liberado!

Aí é que começa minha história...

Voltei com o Nuvaring em fevereiro desse ano. O que significa que a primeira menstruação que tive após retornar com o hormônio, aconteceu quando eu ainda estava no Brasil. Mas vou dizer uma coisa: não lembro de nada nadica de como foi. 😟

Mas desde que eu cheguei aqui, meu período da menstruação tem sido um calvário!

Para contextualizar: eu sempre tive TPM, dores nos seios, nas pernas... cólicas??? Moooooço do Céu. Quando comecei a tomar hormônio, por volta dos meus 17 anos, eu estava todo mês no postinho de saúde por motivos de: buscopan na veia!
Ah! Eu tenho um histórico médico de SOP, Síndrome do Ovário Policístico, o que, entre outras coisas, piora os sintomas citados acima.

Certo, voltemos ao meu calvário...

Cada menstruação que eu tive aqui foi carregada de dor. Literalmente.
Dor nas pernas, nos seios, mas sobretudo, dor nas costas e enxaqueca!
Sabe aquela dor de cabeça que dói quando vc encosta a cabeça no travesseiro, que te faz vomitar? Eu tenho enxaqueca há anos e nunca senti nada como tenho sentido ultimamente!!!

Quando eu vim para Madri, trouxe 6 caixas de Nuvaring.
Para quem não sabe, ele deve ser mantido refrigerado, e, na bula, diz que depois que o remédio sai da farmácia deve ser consumido em 30 dias. Bem, obviamente não é o que está acontecendo aqui. Afinal, apesar de eu ser bem cuidadosa com meus medicamentos que precisam ficar na geladeira, o Rebif (BetaInterferona), também precisa, me parece que quase seis meses não são páreo para o meu cuidado. Ao menos no que diz respeito ao Nuvaring.


O último anel que eu coloquei, 8 de agosto, me deixou com a sensação que minha menstruação poderia descer uma hora ou outra: cólicas, seios doloridos, dor nas pernas, intestino desregulado, dores nas costas e de cabeça... quase que o tempo todo.

Então eu pensei: Quer saber? Que se exploda! Eu estou aqui me Fu@$%& com essa medicação, que não está funcionando e ainda faz de mim uma bomba relógio pronta para estourar. Vou parar de usar!

Então, terça agora, 5 de setembro, eu tirei meu último Nuvaring da vida! Não uso mais essa titica de galinha! E tenho dito!

Oremos para que eu não mude mais uma vez de ideia! 😆

Então, manas e minas, mulheres e meninas, eu abro aqui um espaço para conversarmos sobre esse assunto.
  • Tem dúvidas?
  • É médica(o) e pode responder dúvidas?
  • Quer divulgar uma pesquisa, um texto, seu ponto de vista?
  • Quer dar palpite de contraceptivo?
  • Quer dar palpite que enlouqueci de vez? 😅

Mande email para duarteoliveiramel@gmail.com, ou fale nos comentários, ou na página do Facebook ou no perfil do Instagram.
Aqui vale quase tudo. Só não vale falta de amor! 💗

Ah! Uma outra coisa que também contou muito nessa decisão: eu perdi o medo de ser mãe! Eu tinha pavor e, portanto, não queria nem de baixo de bala... Mas isso mudou nessa viagem. Só que essa é uma história para outro post.
Então, se por acaso acontecer um "acidente", eu não ficarei apavorada. Mas por enquanto, preciso esperar um pouco para não abarrotar minha família de bebês. A família já está crescendo!!! 😍
Mas esta também é uma história para um próximo post. 😉

















segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Sua História no Diário De Uma Esclerosada por Mariana Moreira

Pessoas, olá!

Segunda é dia de quê?
Siiimmmm! Sua história no Blog.

E hoje é texto é da Mariana, de São Paulo, SP, 26 anos e tem EM há três.

Senhores e senhores, com vcs, Mariana!




"Meu nome é Mariana tenho hoje 26 anos e à três anos descobri que sou portadora de esclerose múltipla , doença que não conhecia até o dia em que recebi o diagnóstico. Foi como se tivessem me passado uma rasteira aquele dia meu mundo caiu, estava toda empolgada primeiro semestre de Bacharelado em Administração concluído e essa bomba explodiu,junto com uma limitação muito grande pra caminhar, médicos pra lá e cá até que em uma consulta com um ortopedista ele me examinou e olhou bem pra mim e disse: Seu problema é neurológico, procurei um neuro e tive o resultado me desesperei , e comecei o tratamento mas a dificuldade pra andar era muito grande, ir ao banheiro era uma batalha vieram as sessões de fisioterapia e foram muitas ao todo se não me eu não me engano dois anos e com a melhor fisioterapeuta que já conheci e já passei por vários rs a minha Fisio Gentil rs ela foi muito importante e ajudou demais até mesmo no meu processo de aceitação da Dona EM.
Mas sabe acredito que e só conheci a verdadeira Mariana após descobrir a esclerose, pela primeira vez olhei na vida olhei pra mim mesma foi um processo difícil e longo mas creio que a fé é que me impulsionou e me puxou para que eu não desistir da vida, Deus me deu forças para encarar tudo que passei e sou grata demais à Deus por toda força que ele me deu naquele momento e por todas as pessoas que ele colocou no meu caminho. Eu digo: Obrigada Deus todos os dias por tudo e peço pra que ele sempre esteja comigo me fortalecendo e seguindo na frente de cada passo que eu der. Um dia que eu nunca vou esquecer,saí de casa sozinha quer dizer, levei a Cuca comigo" esse é o apelido da minha bengala" rs fui ao banco que fica um pouco longe de casa andei e não fadiguei e na hora de voltar pra casa resolvi pegar um ônibus acho que eu estava com um espirito aventureiro nesse dia kkk fiquei tão feliz a única coisa que eu conseguia fazer era agradecer,depois no mesmo dia saí novamente pra comprar uma bandeja de ovos daqueles carros que passam vendendo comprei uma bandeja de ovos e subi as escadas de casa carregando a bandeja e estava sem a bengala pode parecer besteira mas foi uma felicidade imensa.

Depois que passei pelo processo todo da descoberta até a real aceitação percebi que eu teria dois caminhos para escolher viver bem e aprender a conviver com a Dona EM ,ou viver me fazendo de cotada,e eu escolhi viver.  Sei que ainda tenho muito à aprender e com fé em Deus muito pela frente , acredito que todos nós devemos fazer o que aquela mmúsica diz:Levanta sacode a poeira, e da a volta por cima."

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Sua História no Diário De Uma Esclerosada por Grégori Lima Ferreira!

Pessoas, só digo uma coisa: vem!

O texto de hoje é do Grégori, de São Carlos - SP, ele tem 29 anos e tem EM há 10 anos!!!
O texto dele tá super legal!
E tem mais: ele compartilha a sua vida, diga-se de passagem: fitness!, no Instagram: @gregesclerosado.

Um homão desses, bixo! Vai perder?

Senhoras e senhores, com vocês, Grégori Lima Ferreira!



"Olá, meu nome é Grégori e vou contar um pouco da minha trajetória com a EM. Era 2007, eu tinha 19 anos e estava no fim do primeiro ano de faculdade. Um dia na aula senti minha visão estranha, não era turva como se a pressão tivesse caído e nem embaçada como se a miopia tivesse aumentado. Era estranha, sensação de que meus olhos não reproduziam a imagem que estava na minha frente, parecia que eu via a imagem, mas meus olhos não focavam e assim, meu cérebro não reproduzia. Comentei com minha esposa (na época namorada) e pedi que ela voltasse dirigindo já que pegávamos estrada. Talvez fosse um cansaço momentâneo, acho que amanhã acordo melhor.
Não acordei melhor, pelo contrário, parece que aumentou. No mesmo dia comecei a ir atrás de médicos. Eu e minha família desconfiamos de labirintite, stress, diabetes, até tumor! Eis que, por último, resolvo ir ao neuro. No mesmo dia ela conseguiu me encaixar uma ressonância e no final da tarde ela veio com um possível laudo: Esclerose Múltipla, mas vou te encaminhar para um amigo meu em São Paulo (moro no interior) para realizar mais exames e termos certeza.
No dia seguinte, já em SP realizei mais de 50 exames entre eles o Liquor e de lá o médico já me mandou para a pulsoterapia. E lá estava eu, apenas alguns dias depois já estava internado tomando um remédio que eu não tinha ideia do que era com o nome de uma doença que eu nunca tinha ouvido falar. E agora?

Confesso que por uma noite fiquei bastante pensativo. Por que eu? Não bebo, não fumo, nunca usei drogas, sou trabalhador, bom aluno, tenho uma vida regrada.  Por que eu, então? Mas foi isso, por uma noite! Não me permiti fraquejar na minha fé, pois sei que cada um recebe a cruz que está preparado para enfrentar e eu estava. Nesses momentos percebemos o quanto a família e os amigos são importantes, eles me apoiaram o tempo todo. Foi quando me dei conta do quão forte eu poderia ser, pois queria tranquiliza-los já que estavam muito abalados.
Ao saber um pouco mais da doença me vieram algumas dúvidas: vou poder jogar bola de novo? Vou poder trabalhar normalmente? Acabar a faculdade? Casar? Ter filhos? Mas tomei uma decisão que até hoje considero uma das mais importantes: não quis saber o prognóstico da doença.
Isso mesmo, não fui pesquisar no google, não quis saber os sintomas. Acredito que todas as doenças, principalmente as auto imunes, começam pelo psicológico. Se na época eu soubesse que EM dá fadiga, por exemplo, pronto, um dia que eu estivesse com preguiça (que é normal para todos) já diria que é fadiga da EM. Qualquer coisa colocaria a culpa na EM e não queria tê-la como inimiga.             E lá se foram 10 anos. E como foram esses 10 anos com ela? Como se nada tivesse acontecido. Mudei radicalmente meus hábitos alimentares, hoje me preocupo com cada alimento que estou colocando na boca. Na época meu único esporte era o futebol uma vez por semana, hoje faço musculação de segunda a sexta e continuo com o futebol toda segunda (as vezes dou uma corridinha no final de semana). Aprendi a ter mais jogo de cintura, antes era bem engessado a regras e rotinas, a EM me fez perceber que não é tudo que podemos controlar e planejar.
Se tive mais surtos? No primeiro ano tive 3 bem seguidos, com diferença de meses entre eles, depois comecei a tomar REBIF e espaçaram bem, devo ter tido mais uns 03 em quatro anos. Desde 2011 entrei em um estudo no HC de Ribeirão Preto e troquei o REBIF pelo DACLIZUMAB, são 06 anos que não tenho mais surto e nenhuma lesão nova.
Sabemos que a EM é uma doença extremamente individual e se manifesta muito diferente nas pessoas, mas se pudesse dar conselhos para os mais novos seriam: viva sua vida normal, não se entregue, não arrume desculpas, cuide da sua cabeça.
Nesses 10 anos de EM nunca deixei de fazer absolutamente nada por causa dela, sempre viajei, sempre trabalhei, exerço as atividades do dia a dia normalmente! Hoje? Estou casado, esperando minha primeira filha que chega em outubro e, através do instagram @gregesclerosado mostro minha rotina, meus treinos, com o intuito de motivar e ajudar as pessoas que recebem um diagnóstico e não sabem o que fazer com aquilo. Estou a disposição para conversar e tirar dúvidas como paciente portador de EM."

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Omolu

Olá, amigos e irmãos em Deus!

Finalmente, chegamos ao último Orixá do nosso Estudo Resumido da Umbanda: Omolu.

Antes de continuarmos, eu gostaria de me desculpar com as pessoas que têm acompanhado o estudo. Eu me programei para publicar um Orixá por semana. Mas não saiu como planejado...

Também gostaria de agradecer à espiritualidade amiga, por me presentear com a permissão de divulgar esses estudos aqui no Blog. Acredito que esse estudo chegou àqueles que, assim como eu, precisavam se alimentar dessas palavras.

Então, pra não perder o hábito:

  • De modo geral, na Umbanda, e especialmente no Cabocla Jurema, não acreditamos que os Orixás sejam deuses, tal como ocorre no Candomblé. Portanto, não os cultuamos de tal forma. Acreditamos que eles são representantes dessas energias/vibrações divinas e se expressam através das mesmas. 
  • Muito gentilmente, o Téo disponibilizou seu email para possíveis dúvidas: teofiloneves@gmail.com. Desta forma, gostaria de pedir a quem fizer uso desta ferramenta que tenha bom senso. Afinal, este também é seu email profissional. De preferência, identifiquem o email em "assunto".
  • Segue abaixo um "mapa" dos 7 Chákras principais e os Orixás correspondentes. Lembrando que a cor na imagem não representa a cor do chákra, mas sim a cor do orixá representante.



LEMBRANDO QUE:
  • Aqui não há espaço para intolerância. Vc pode (e deve!) discordar. Porém, como este não é um espaço para debate, guardemos isto para um espaço conveniente.
  • Perguntas são muito bem vindas (que responderei à medida do que eu conseguir).
  • As práticas e percepções da Umbanda podem variar entre os diferentes terreiros.
  • Os textos aqui divulgados são de autoria de Teófilo Alves Neves que, indubitavelmente, é inspirado pela Espiritualidade Amiga e serão transcritos na íntegra como me foram passados.
  • Os textos que serão publicados com este tema não têm o menor objetivo de "converter fiéis". Não acreditamos neste tipo de fé, mas sim em uma fé baseada na razão. O objetivo é divulgar uma Doutrina belíssima, que é baseada na paz, no amor e na caridade, mas que ainda é pouco conhecida e que, infelizmente, sofre com pré-conceitos. 
  • Por não serem textos apenas para os crentes nessa Dourina, é uma fonte interessante para aqueles que querem apenas matar a curiosidade.




OMOLU



Omolu é o último Orixá de nosso estudo resumido sobre as sete potências divinas. Nele se vinculam conceitos complexos, mas que apresentam o quão majestosa é a ação de Zambi no reformar de nossas vidas.

O mito do Orishá no culto de origem yorubana, como de costume, é bem variado, mas temos algumas estórias que são mais repetidas, nas quais nos apegaremos. Um desses contos nos apresenta que Obaluaiê, nome que se dá à imagem mais jovem do Orishá, é filho de Nanã Bureque. Esta ao perceber que ele adoeceu por varíola e não tendo como curá-lo deixou-o na praia para que a maré o levasse (à morte). A maré o toma, porém o leva a Yemanjá que se apiedando dele lhe cura, mas permanece com uma gama de cicatrizes. Após, mais moço, faz-se presente em uma festa dos Orixás e chama atenção por seu vigor ao dançar e por cobrir-se com palha-da-costa. Oyá fica curiosa e lhe descobre, limpando as cicatrizes remanescentes, até então escondidas. Por ser um Orishá que sobreviveu à doença e resiste à velhice é um dos poucos que apresentam uma forma muito cultuada de sua imagem mais velha e sábia, denominada Omolu. A morte também lhe é conectada no culto yorubano sendo visto como o Senhor Cemitério, a chamado Calunga Pequena, o “Campo Santo”.

Na Umbanda Omolu é o Orixá da Evolução. É nesta vibração cósmica que faz presente a vitória sobre as demandas de provas e expiações fruto do saneamento de nossos erros e defeitos. O mito de Omolu/Obaluaiê representa a sabedoria e humildade que provêm como consequência aos que se superam nos percalços, tornando-se pessoas melhores. Só vencemos as dificuldades quando elas provocam mudanças positivas em nosso pensar e em nosso agir. A mudança é a evolução, tão aclamada pela Doutrina Espírita como a Lei do Progresso. Podemos dizer que este é o Orixá da doença? Bem, isto é diminuir o alcance de uma vibração divina, além do mais, é como se crêssemos que Tupã se diverte com o nosso sofrimento. O melhor entendimento que temos sobre Deus o coloca sempre como justo e disto temos que Ele nos concede a todos oportunidades das mais diversas e variadas para que alcancemos nossa própria evolução, no entanto, nossa fragilidade moral e invigilância falam mais alto e, assim, provocamos desgraças pessoais e alheias de toda ordem que acumulam uma energia densa e negra em nosso espírito. Como Deus é amor e justiça nos entrega novas oportunidades para sanarmos o tanto de mal que causamos. Daí vem a doença, a miséria, os problemas... Situações dolorosas que são consequências de nossas atitudes pretéritas, mas que acontecem para o nosso melhorar e para higienizar os males que armazenamos em nosso corpo espiritual.

Omolu, como um mandamento de Zambi, não está no problema, mas sim na solução que dele se extrai. Assim como o jovem Obaluaiê sobreviveu à doença e o velho Omolu prevalece à morte, devemos extrair aprendizados dos nossos problemas para nos refazer, demore o tempo que for. Omolu/Obalueiê não se trata da doença mas sim da cura operada. A peste é consequência direta de nossas ações danosas já cura do espírito é a conexão que conseguimos reestabelecer com Deus.

Outra coisa que intriga na figura de Omolu é sua relação com a morte. Não devemos nos esquecer que a morte, tão temida por nós, é somente um dos muitos processos de passagem da vida na carne para a vida espiritual, a vida plena do ser. O período no corpo físico é um estágio da prova evolutiva de modo que reencarnamos e desencarnamos incontáveis vezes em nossa existência espiritual. Morrer é tão natural de nossa vida na matéria como o nascer e em ambas há oportunidade de aprendizado. O que ocorre com frequência é que face ao enorme apego à matéria que muitos espíritos têm, estes, mesmo após a morte do seu corpo físico, permanecem vinculados a eles num processo doloroso de desapego. Disto, muitos espíritos afinados com a vibração de Omolu protegem os cemitérios para que as dores do apego sejam limitadas somente aos que ainda não evoluíram o suficiente para serem permitidos viver de maneira mais plena em espírito.

No cemitério¹ há outra correlação importante que simboliza este Orixá como o Senhor dos mortos: é que mesmo já falecido o corpo físico este ainda mantém após certo tempo parte do fluído vital, cabendo aos espíritos afinados com a vibração de Omolu o manejo do elemento terra que tem o papel de magneticamente sugar e dispersar as energias ainda presentes, num processo de decantação energética. Cabe à terra absorver tanto a parte física com a astras das energias vinculadas a reencarnação. 

A terra é, assim, o seu elemento de maior atuação. Terra que engendra enorme magnetismo e suga para si energias e espíritos desequilibrados. Essa mesma terra é capaz de reverter as energias danosas em energias benéficas. É sólida e firme, mas também morosa na elaboração desses processos.

Não devemos restringir a ação de Omolu à morte! Omolu é Evolução e esta se dá também pela vida, tanto que sua conexão ocorre mais fortemente pelo Chacra Básico, o chacra da vida, nos moldes dos estudos do Centro Espírita Cabocla Jurema, diretamente conectado ao elemento terra. Não é o que concede a vida (papel do Sacral), mas é o primeiro chacra a se manifestar quando do processo de casamento fluídico entre o corpo físico, em estágio embrionário-fetal, e o espírito reencarnante. Já quando do desencarne é o primeiro a desconectar-se de todos os chacras.

O Básico comanda funções essenciais e estruturais de nossa parte física, tais como ossos, articulações e sangue, estando diretamente vinculado com nosso comportamento de apelo mais instintivo: comer, dormir, reproduzir... Sobreviver! É o primeiro chacra. Se localiza na região abaixo do cócix e direciona sua energia em direção aos pés. Tem extrema vitalidade por ser a exata manifestação do fato de “estar vivo”, como fonte direta de vínculo com nossas necessidades mais básicas da existência carnal, conectado com os sentimentos de segurança e firmeza.

Quando estamos equilibrados vibra na cor vermelha, transmitindo tranquilidade, segurança e praticidade. Quando em desequilíbrio apresenta-se em comportamento materialista de exagerado apelo ao acúmulo de bens, preocupação excessiva com doenças, bem como também pode engendrar sentimentos de insegurança e pânico.

Por ser o chacra que vibra em maior densidade é o que representa o último estágio nas trocas energéticas entre nosso corpo espiritual e corpo material, sendo responsável por permitir a instalação, no corpo físico, de doenças presentes em nosso corpo espiritual, inclusive as de natureza pré-encarnatórias (Kárma). Chamado também de chacra Raiz, por seu contato com a terra, qual a árvore é por ele que se realizam trocas importantes de absorção e eliminação de elementos energéticos. Daí a importância que o Terreiro Cabocla Jurema dá ao estar descalços nos momentos de trabalho, pois com este simples ato facilitamos a absorção, pela terra em que pisamos, das energias desnecessárias e renovamos energias úteis.

Da mesma maneira como o Chákra Básico precisa estar enraizado para ser efetivo, o aprendizado que opera a reforma íntima também. Não bastam ações da boca pra fora, mas sim palavras e atos que exprimam a reforma de quem operou a mudança moral. Devemos estar com raízes sólidas e profundas na boa conduta, para que não caiamos nas ventanias da tentação do erro e da ignorância. Raízes estruturadas na paciência e na humildade. É neste panorama que muitos dos espíritos que se manifestam na Umbanda pela vibração de Omolu fazem uso da roupagem espiritual de Pretos Velhos², pois para vestirem tão honrosa patente é porque vivenciaram e encontraram júbilo nos percalços.

Grande parte dos espíritos iluminados que descem nos terreiros como Pretos Velhos operaram significativa reforma moral numa reencarnação como negros escravos, na qual foram humilhados, surrados, despojados, assassinados etc. Agora, com a serenidade de quem viveu e sublimou seus pensamentos às mais ultrajantes agressões é que vêm nos aconselhar em direção à melhora, pois entendem que tudo que passamos são efeitos de nossas próprias ações e se o Pai nos coloca a oportunidade é porque já temos condições de superá-las. Em alguns casos, só o tempo é capaz de curar certas feridas.

Numa concepção astrológica de Umbanda, Omolu representa-se pelo planeta Saturno, que tem o tempo nas mãos, por ser, na concepção mais tradicional, o que apresenta a maior viagem em torno do Sol.

Na tradição do terreiro representamos a vibração de Omolu pela junção das cores preta e branca, por informarem bem a ideia aqui exposta da vida e morte, da doença e da cura, início e fim, como dois lados de uma mesma moeda, pontas de um ciclo. A Evolução das trevas à luz.

Salve Omolu! Atotô Obaluaiê!!! 


Tem o segredo da vida
Do começo e do fim
Oh, meu senhor das palhas,
Tenha muito dó de mim

Na procissão das almas
Que partem pro infinito
Ele vai mostrando a elas
Outro mundo mais bonito
Obaluaê

É Obaluaiê, é Obaluaiê, é atotô,
É Obaluaê, é Obaluaê.

Goiânia, 02 de abril de 2017. 

(¹) Podemos concluir que o cemitério é um santuário natural de Omolu? Não. O cemitério é sim um Santuário e como tal deve ser respeitado, mas nele habitam uma gama de espíritos nefastos que agem como verdadeiros ladrões energéticos, sem contar uma porção de outros que lá trançam à procura de espíritos perdidos na culpa e no vício para cooptá-los ao mal. Com isso, queremos deixar claro que o entendimento do Centro Espírita Cabocla Jurema é de que as idas a cemitérios devem se restringir a levar, em muita oração, a vestimenta carnal daqueles que desencarnaram, pedindo que, se for do merecimento deles, estejam protegidos até o seu desenlace integral para o despertar no mundo espiritual. Entendemos que não há energia natural nesse ambiente capaz de servir como fonte para trabalhos no amor, posto que lá reina o desequilíbrio, de modo que se trata de um local que precisa de luz e não é fonte dela, face ao conteúdo mórbido que impera.

(²) Pretos Velhos é uma das três formas de manifestação contempladas pelo Centro Espírita Cabocla Jurema. Detalharemos mais sobre isso nos capítulos seguintes, mas é importante salientar que o que afirmamos com nossa prática e com a teoria é que, em regra, as entidades de Omolu se manifestam como Pretos Velhos. O que não impede, por variáveis das mais diversas, que outros espíritos afinados com a Vibração da Evolução se manifestem como Crianças ou Caboclos.