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terça-feira, 7 de março de 2017

O Textão do Face que virou Textãozão aqui...

Essa semana um amigo me marcou em um link relacionado à EM.
E eu pensei: Que legal! Ele sabe! Deve ler o blog. Deve ter gostado. De certo, agora, quando lê alguma coisa a respeito, deve se lembrar de mim.
E nos tempos atuais, quando alguém te marca em alguma publicação, não é um indício bonitinho de que a pessoa pensou em vc?

E percebendo como aquela atitude é legal, fiz um textão no Facebook... rs
Mas esse texto não foi bem elaborado, não foi feito com calma. Então senti a necessidade de fazê-lo aqui.

Em primeiro lugar, eu acho muito massa as matérias e links que as pessoas me marcam. São sempre informações legais, novas, ou divulgação de eventos, "terapias alternativas", etc.
Mas outra coisa muito legal é a "coragem" dessas pessoas ao falarem abertamente comigo sobre o assunto. Eu passei a admirar pessoas que aceitam a verdade (não só essa "minha verdade"). Eu admiro as pessoas que não ficam cheias de dedos para falar comigo ou, pior!, ignoram o assunto.

Veja bem, não quero ser tratada como esclerosada-coitada. Mas eu não vejo motivos para:
1. Esconder que sou portadora de EM;
2. Desrespeitar os limites que tenho por causa da EM;

Por exemplo, ano passado, eu, o Tiago e alguns amigos que vieram de Belém fomos para Pirenópolis e escolhemos visitar a Cachoeira do Abade. Muito legal. Mas na hora da escolha: "Mel, existem duas trilhas, uma maior outra menor. Dá pra gente ir?". Eu estava tão empolgada quanto os demais. Aceitei o desafio! Cada um foi no seu ritmo. Um grupo maior na frente, eu e o Tiago um tanto mais atrás. Mas foi ótimo. E nos pontos "especiais" da trilha o pessoal parava para admirar e nos esperava para as fotos. Foi show!


A caminho de Piri: Eu, Gilberto, Sara, Bruno, Tiago


Foto: Gilberto 
Modelos: Bruno, Tiago, Eu e Sara

E como este, existem outros exemplos, nos quais eu não posso e nem quero deixar de levar minha saúde em consideração.

Voltando à "coragem" dessas pessoas...
Coragem sim, porque para nós, humanos, a reprovação é uma regra geral. Além disso, existe aquela disputa pelo "quem se importa menos". Então, quando uma pessoa escolhe tratar a mim e a minha EM como algo normal, eu sei que aquela pessoa travou (evenceu) a batalha, nem que por uma fração de segundo, do tal "será que pega mal?". E assim, ela resolveu se importar. Não no sentido de ligar sempre, fazer orações, ser um fiel ombro amigo. Mas no sentido de "dentro das minhas limitações, te aceito tal qual vc é".

Durante e após meu diagnóstico, algumas pessoas de convívio próximo resolveram ignorar o fato. E não é tipo "eu não acredito que vc não consiga fazer uma trilha de 2,5km". É ignorar no sentido de fingir que nada está acontecendo. De não acreditar no diagnóstico. De teimar que o médico está errado.
Pra vcs, um recado: Migo, apenas pare. Tá feio! (E chato...)
Outras pessoas desmarcaram "compromissos" comigo com uma desculpa esfarrapara ou, pior!, sem dar uma justificativa. Alguns "amigos" sumiram, Alguns familiares acharam que convinha fazer piada...

Todos estes (e vários outros) relatos me mostraram o quanto as pessoas têm medo de se envolver, de se posicionar, de ter empatia. Medo de dizer que não é "moreninho", nem "fortinho", nem "afeminado". Medo de aceitar que eu tenho EM e estou pouco me importando em falar sobre isso como algo normal. Normal???? Sim, gente! Normal. É raro? Sim. Mas se acontece... é normal. Tem que ser normal! Para o bem estar do paciente e seus familiares.

Eu sou portadora de Esclerose Múltipla e em poucos aspectos isso faz de mim uma pessoa diferente.

Eu acho, inclusive, que um pouco do medo mora em conviver com essas "minorias", com essas "ovelhas negras", com esses "diferentões". Por quê? Tenho cá meus motivos:
1. "Vai que eu fico diferentão também..."
2. "Vai que andando com esse povo, eu fico falado também..."
2. Ao conviver com esses "maculados" as pessoas conviverão também com a dor deles. A dor do viadinho, do negão, do leproso, da sapata, do deficiente mental... E ao conviver, convive-se também com a realidade desses "desgraçados". Não dá mais pra julgar e apontar o dedo como antes, não dá mais para ver a dor de alguém próximo sem sentir essa dor também.

Então, apenas parem.
Os NEGROS, os GORDOS, os GAYS/HOMOAFETIVOS, os ESCLEROSADOS agradecem!
Minha mãe sempre diz: cada um dá aquilo que tem.
Se vc não tem amor, vc não consegue amar ninguém.
Se vc não têm paciência, vc não consegue ser paciente.
Se vc não tem conhecimento, vc não consegue passar no teste.
Se vc não tem dinheiro, vc não consegue pagar as coisas.
E por aí vai.
Se vc não consegue lidar e conviver com o próximo, realmente não tem como exigir isso de vc.
Mas existem duas coisas que valem a pena serem pontuadas:
1. Se vc não gosta das mana, das mona, das mina, dos bródi, dos preto, dos favelados... sai de perto. Em silêncio. Apenas.
2, Se vc não tem amor, paciência, conhecimento, realmente não faz sentido que alguém espere isso de vc. Mas e vc, o que espera de vc mesmo? Quer continuar sendo essa pessoa estagnada? Porque uma coisa é fato: quando a gente aprende a conviver com as diferenças, a gente sofre menos. Não é o outro que merece que eu o deixe em paz. Sou eu que mereço me sentir em paz.

.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Meu Anjo da Guarda do Avesso

É assim que eu chamo meu irmão. 😍

Claro que eu não falo: Oh, Meu Anjo da Guarda do Avesso, pega um copo de água pra mim? 😆
Não. Eu uso esse nome quando me refiro a ele. Por quê?
Uai, acredito que todo irmão é um anjo da guarda.
Não dá pra separar minha vida da dele. Não lembro de um só momento do meu eu sem ele. Mesmo que seja à distância ou lá do quarto dele, só ouvindo e gritando de longe: FALA BAIXO!; ou quando ficava bom: COMO É QUE É? NOOOO!

Por que "do avesso"? Vc já viu um anjo da guarda colocar fogo no cabelo do tutelado? Ou vc já viu um tutelado quebrar uma garrafa de vidro na cabeça do seu anjo da guarda? Hahahahaha!
"Acidentes" acontecem...

Depois da infância, nós nos distanciamos um pouco. Nada de mais. A gente não tinha o hábito de sair juntos, não tínhamos os mesmos amigos, moramos um tempinho em cidades diferentes... etc. E, claro!, a gente brigava pra chuchu! 😀
Inclusive, quando eu estava no começo da crise, antes do diagnóstico, passei muito tempo na casa da minha mãe. Meu irmão mora com ela. Não preciso dizer que rolou uns fight...


Eu sei, eu era feinha. Mas ele era TÃO FOFIIINHOOO! 😍


E esse post é pra mostrar uma das coisas mais lindas que a EM me deu: o respeito e carinho do meu irmão.

[...]☏
- E vc já contou pro seu irmão?
- Ihh, mãe... esqueci!
Silêncio
- Tá. Deixa que eu conto...
- Obrigada. Beijo.
- Beijo

5 minutos depois
- Alô?
- Oi... (voz de choro)
- Jedai, o que foi?
- Minha mãe me falou...
- Ei! Não fica assim não. Eu estou tranquila! Vai ficar tudo bem. Tem tratamento e tudo...
- Não. Para. Eu que tinha que tá falando isso pra vc...
- Tá de boa...
- Tá não...
- Então fala aí...
- Vai ficar tudo bem, viu?
- Viu!
- Eu tô aqui.
- Eu sei.
- Eu te amo.
- Eu também.
- Tchau.
- Tchau.

E desligamos.

No dia seguinte, o Tiago foi me deixar na casa da minha mãe. Meu irmão estava me esperando lá em baixo. Um pouco choroso... me ajudou a descer do carro. Me deu um super abraço. Disse que me amava. Me deu seu braço e foi minha "bengala" até chegarmos ao apartamento.
Eu juro que esse foi um dos momentos mais marcantes de toda a minha história com a EM. E eu fico repassando ele na cabeça com frequência... rs

Ainda hoje, meu irmão sempre me oferece para carregar as coisas pra mim!

Quem nos conhece, sabe o quanto esse gesto é significativo. 💕


Nossa foto que eu mais gosto! 
(Irmão, temos poucas fotos juntos...)





domingo, 4 de dezembro de 2016

Não, este não é um 'publish post'!

Até pq eu não sou blogueira!
Tenho um blog, mas não sou blogueira. E sim, tem diferença.

Então vamos lá!
Ontem tive o prazer de fazer o curso do VegetariRango, com o Flávio.
Honestamente, eu nunca vi um vídeo dele. Uma amiga, que sabia dessa minha iniciação no mundo vegetariano e que também iria fazer o curso, me indicou.
E achei tudo tão legal, que estou me propondo a acompanhar, não só o canal dele, como outros canais de comidas vegetarianas/veganas.



Alguns de nós com a mão na massa pra fazer um chocookie vegano (sim, eu sou o porquinho! 🐖).
Turma  VegetariRango, Goiânia, Dezembro, 2016


Mas vamos do começo:
Em 2013 eu tive um início de Pânico. Na única crise séria que tive, no auge do desespero, arrumei minha mala e fui parar na cidade do marido. Esclarecendo: eu morava em Belém, PA. O Tiago (marido) tinha duas residências: uma em Belém, outra em Breves, na Ilha do Marajó (os não-nortistas piram!). 12 horas de barco ou 8h de catamarã (um tipo de lancha)! Então, eu passava muito tempo sozinha. Adicione à  mistura: o fim de um mestrado, a distância da família, uma pessoa ansiosa... BUM!

Depois do susto, o Tiago finalmente resolveu me dar uma cachorrinha (na época eu queria macho), pra fazer companhia. Eu queria já fazia tempo!!!
A ideia inicial era adotar um vira-latinha, mas me deixei levar pelo ti ti ti de "vira-lata isso e aquilo".
Pesquisamos raças, valores, locais, etc. E descobri a raça West Highland White Terrier. Confesso que, no começo, achei meio feiinho... mas quando descobri uma pessoa com uma ninhada e fui visitar... 😍😍😍😍😍😍😍

Nala foi para nossa casa dia 03 de janeiro de 2014.


Vê se eu aguento!


A Nala despertou em mim muitas coisas legais.
Uma delas foi me atentar para o fato de que ela tinha tudo (e mais!) que um cachorro precisa pra ser feliz, mas que existem um monte de animais de rua que não tem nem onde se esconder do sol ou da chuva, quanto mais o que comer!

Comecei esse "trabalho" fazendo doações de ração e peças para o bazar de uma ONG em Belém (Patinhas de Vida). Depois dei LT (lar temporário). Logo tiramos uma da rua pra ficar conosco, mas ela não sobreviveu... 😟


R.I.P., Lola. A gente te ama! ❤


Quando vi, estava fazendo resgates, ajudando outras pessoas, trocentos protetores como amigos... 😅
Então me tornei uma protetora independente. O que isso quer dizer? Que ajudo animais, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, sem estar associada a nenhum grupo. Isso NÃO significa que faço tudo sozinha. Se não fossem os protetores que conheci em Goiânia, as pessoas maravilhosas que me ajudam, as clínicas que também embarcam nessa loucura... nada seria possível!

Agora vamos esclarecer: protetor não é milagreiro!
"Apareceu um cachorro na minha rua, vc pode levá-lo pro abrigo?"
"Resgatei um cachorro. Eu levo pra onde?"
"Nooooossa! Vc só posta coisa de cachorro; vc vive pedindo dinheiro pra cachorro...!"
"Aiinnnn... que dó! Alguém faz alguma coisa!"
😒

Nesse processo de me transformar em protetora, comecei a me questionar: de que adianta tirar animais da rua, se eu como outros? Se eu uso produtos testados em animais? etc... Comecei a mudar os hábitos. 
Hoje, aqui em casa, pelo menos até onde sabemos, não entra produtos testados em animais!
"Vc deixou de usar a marca X??? Ela é muito boa! Vc gostava tanto...".
Prioridades, né migs? 😉

No auge do meu momento de resgates, eu estava na crise da EM. Os sintomas mais limitantes tinham passados, mas ainda estava bem mais ou menos... rs! Então, quero agradecer ao marido por toda a ajuda!


Companheiro de latadas. Obrigada por me deixar ser louca me mantendo sã! 😗


Então esse foi o início da minha vontade de ser vegetariana.
Mas não para por aí. Não podemos esquecer da querida, amada e, sempre presente, EM!
Taaannndaaaannnn! \o/

Quando fui diagnosticada, meus pais pesquisaram bastante coisa... coitados! Um dia vou fazer um post contando como contei pra cada um... 😁
Minha mãe encontrou uma mulher chamada Laura Pires (ela está em redes sociais). Eu sou tão sem vergonha com esse negócio de acompanhar as coisas pela internet, que até hoje não parei pra ler toda a história da Laura. Mas de maneira resumida, a Laura também foi diagnosticada com EM. Não sei como foi o início do tratamento dela, mas hoje ela se trata apenas pela AYURVEDA.

Meeeellll Deeelllsss! O que é isso?

Ayurveda é o conhecimento médico tradicional da Índia, desenvolvido há 7 mil anos, sendo um dos mais antigos sistemas medicinais conhecidos pelo homem. A Ciência (veda) da vida (ayur) continua a ser a medicina oficial na Índia. 

Para a Ayurveda, a doença é mais que a manifestação dos sintomas. Ela se inicia bem antes de chegar à fase em que finalmente pode ser percebida. Por isso, pequenos desequilíbrios podem aumentar ao longo do tempo, se não forem corrigidos. Ou seja, estes pequenos desequilíbrios originam a enfermidade muito antes de podermos percebê-la. É uma filosofia médica que exige um diagnóstico prévio do desequilíbrio do paciente.

A Ayurveda baseia-se no princípio de que o Homem é uma miniatura da natureza. Desta forma, tudo o que está presente na natureza, está presente também no Homem. As pessoas adeptas dessa linha medicinal têm práticas, hábitos e crenças que permeiam o dia a dia. Uma dessas práticas é o cuidado diferencial com a alimentação. Os médicos ayurvedicos constantemente afirmam: “digestão é mais importante que alimentação”.

Certo! E onde entra a carne aí?
Aí é que está: não entra!
De acordo com a Ayurveda, a carne é um veneno para nosso organismo pois acredita-se que os alimentos tem energia e, no caso da carne, a energia de sofrimento e medo do animal são transferidas para quem consome.

As religiões e filosofias espiritualistas, geralmente acreditam que, durante a evolução do espírito, a tendência é nos desapegarmos da matéria, inclusive da carne como alimento. Eu nasci e cresci no Kardecismo. Este ano conheci a Umbanda. E acho que essa filosofia, além de muito bonita, tem tudo a ver comigo!

Então pra concluir:
  • Ainda não sou vegetariana, mas já larguei a "carne vermelha", já consigo ficar vários dias sem carne e abri minha cabeça e paladar para novos sabores!
  • Não, não tenho a intenção de ser vegana. Ao menos por enquanto.
  • O curso foi super legal! E não é só para os "naturebas". O Flávio mostra que mesmo que vc consuma carne, existe também a opção da comida sem carne. Só pra variar (open your minds!)!
  • Sobre o Pânico: nunca mais tive uma crise. Quando estou com medo e sozinha converso com a Nala. Ela costuma dormir com as costas encostadas nas minhas. Ela vigia de um lado e eu de outro! Hehehe
  • Lola morreu de Leptospirose 💔
  • Sim, sou protetora e aceito todo tipo de doação. E se eu fosse vc, escolheria um abrigo pra ser padrinho. R$10,00 por mês não mata ninguém e salva muitos animais!
  • Eu sou desesperada com comida e já falei coisas como: "não cheguei ao topo da cadeia alimentar pra comer alface". Nunca fui daquelas que respeitam as restrições alimentares. "DIETA? MOÇO! PRA QUÊ? Sacrificar o néctar dos deuses que é a comida pra perder peso???" Então eu sou a prova viva de que mudar os hábitos alimentares é possível.
  • Quer começar a não sabe por onde ou quer fazer sua parte e continuar comendo carne? Já conhece o projeto Segunda Sem Carne? Eles estão nas redes sociais!
  • Peixe, frango, frutos do mar SÃO CARNE!
  • Sou Bióloga de formação e Ecologicamente chata Correta. Acredito piamente que o consumo de vegetais é um caminho para diminuir o desmatamento, a temperatura do planeta, etc. "Aaaahhh, mas os grandes agricultores desmatam muito!". GENTE INOCENTE, BORA PESQUISAR! Existem outros modos de agricultura. Além disso, a pecuária é uma bomba para o meio ambiente: desperdiça água, polui a água, desmata horrores! A pecuária bovina é responsável pela emissão de pelo menos 50% dos gases-estufa, e por aí vai... BASTA PESQUISAR!
  • Não quer ser vegetariano e ainda quer ser meu amigo? Chega junto porque ser diferente completa o mundo! 

❤ Aqui só não vale julgar o coleguinha! ❤