quinta-feira, 15 de junho de 2017

Toledo e Barcelona, um post mais que atrasado!

E aí, gente?

Como de costume, estou sumida... 
É o que eu disse no começo do blog: não sou blogueira porque não consigo ser assídua. 😅

E por isso, hoje, mais uma vez, vou fazer um post com um monte de coisas!

Bom, os últimos posts foram sobre Amsterdã e Ogum. Vamos partir daí!

🏰 TOLEDO

No dia 4 de junho fomos à uma cidadezinha chamada Toledo, aqui na Espanha mesmo. 
É uma cidade pequena, medieval e encantadora. Com influências dos Romanos, Alanos (povo com origem iraniana no nordeste do Cáucaso), Visigodos (um dos dois ramos em que se dividiram os Godos, um povo germânico originário do leste europeu, sendo o outro ramo os Ostrogodos), Muçulmanos, Judeus, e Indígenas (de religião cristã e pagã), Toledo foi centro de tensão étnica e religiosa, além de muitas revoltas que envolviam todo o centro-sul da Península Ibérica. Com grande peso político, social e eclesiástico, a cidade enfrentou inúmeras guerras, invasões e reformas.
As minhas dicas para quem visita a cidade são:

  • Visitar os monumentos religiosos, como a Sinagoga de Santa María la Blanca, a Sinagoga de El Tránsito, a Mesquita de Cristo de la Luz e a Catedral de Toledo;
  • Visitar a casa Museu do pintor El Greco;
  • Vá até a Puente de Alcazar, ande por todo o perímetro e saia da cidade para vê-la por fora. É magnífico!


Raíssa, Valentina, eu e Tiago na Catedral de Toledo na frente da Catedral de Toledo
(Foto super criativa da Raíssa Furtado)


Entrada do museu El Greco



Vista de Fora da cidade

⛪ BARCELONA

Certo, nossa outra viagem foi para Barcelona. E como bem disse o meu irmão: "Barcelona é amor." 💖

Fomos dia 6 de junho, terça, e voltamos dia 11, domingo. De ônibus, que é mais barato! 😏
Uma coisa muito legal foi: meu pai e a noiva dele estavam lá, então podemos matar um pouco a saudade!
Duas coisas não legais: 1) Mais uma vez, não planejamos um roteiro (não façam isso, ok?); 2) Meu pai e a Sol têm um ritmo mais light e eles estavam lá desde uma semana antes, batendo pernas no ritmo de turistas, portanto, já um pouco cansados.
Mas enfim, foi M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!
E aí vão minhas dicas:
  • Se vc não AMA arte e não AMA Dalí, não vale à pena ir até Figueres para visitar o Museu de Salvador Dalí. É bem bonito e tals... mas, pessoalmente, a arte dele não me traz nada de bom (pelo contrário!). O museu é "desorganizado" porque não tem uma cronologia e porque a própria arte dele é desorganizada... 😂 Surrealismo, né Migues? Mas essa é a opinião de uma pessoa que gosta de traçar um "plano para caminhar" até em feiras e supermercados. Além disso, fomos de trem: queridos colegas, andar de trem na Europa é caro! O que tira o glamour... rs


O museu com as obras de Dalí (casa vermelha) e o museu de Jóias, desenhadas por ele (casa branca), vistos por fora


A única obra dele que eu de fato gostei: é um imenso salão, com cadeiras nas quais vc pode sentar para contemplar o teto, onde foi pintada esta cena em que ele e sua mulher sobem para o céu. É lindo!

 

Vista de dentro do anfiteatro


Ele desenhava jóias belíssimas, algumas com movimentos! 😍




Tiago, eu, pai e Sol


Mããããssss... é claro que valeu a experiência. Eu gosto de dizer que até para "falar mal", pra falar que vc não gosta, é preciso conhecer!

  • El Paseo de Gracia (em catalão Passeig de Gràcia) é uma das  principais avenidas de Barcelona e uma das mais famosas da Catalúnia, devido à sua importância turística, áreas comerciais, negócios e uma "vitrine" de destacadas obras arquitetônicas modernistas, como as edificações de Antoni Gaudí, Lluís Domènech e Montaner, declaradas como Patrimônio da Humanidade. Nela encontram-se as duas famosas casas de Gaudí: La Casa Milà (La Pedrera) e La Casa Batlló. São belíssimas por fora! Nós não entramos, porque era preciso pagar em torno de 20 euros em cada casa. (Preparem-se: Barcelona é cara e em todo canto há algo maravilhoso para conhecer - e pagar!)











La Casa Milà (La Pedrera)














La Casa Batlló











  • O Parque Güel é outro ponto muito turístico e muito bonito. Para entrar no parque não é preciso pagar. Tem vários lugares lindos pra fazer trilhas, pic-nic, vistas incríveis da cidade, pegar um solzinho, ou se for dos meus, uma sombrinha e tals! Mãããsss... Lembra que Barcelona é turítica, paga e, no geral, cara? Para fazer o percurso de Gaudí, dentro do parque, vc paga, se não estou enganada, 8 euros. Super vale à pena. Aliás, tudo que fizemos, com exceção de Dalí (😃), valeu muito cada centavo de euro... rs.




O famoso lagartíneo



                 Pombinho tomando banho na fonte



  • Certo, aí vc sai do circuito e vai em direção à La Torre Rosa, ainda dentro do Parque Güel. Aqui vc pagaria mais 5,50 euros. Mas aí vem O PULO DO GATO: você pode comprar aqui uma espécie de passaporte. Por 24 euros vc poderá: entrar na Torre Rosa e na Sagrada Família, sendo que nesta última vc terá o direito a um áudio guia (possibilidade de vários idiomas), que eu vou dizer: FAZ TODA A DIFERENÇA! Parece caro? Sim! É caro? Nem tanto... Veja bem: na Sagrada Família, para entrar e ter o áudio guia, vc pagará 28 euros! Vou falar mais sobre isso na próxima dica.

Bom, essa casa foi a residência de Gaudí entre 1906 e 1925. O objetivo inicial de Eusebi Güell, idealizador do parque, era construir um "condomínio fechado" para os burgueses da época. Mas foi um fracasso comercial.  La Torre Rosa foi desenhada para servir como casa-modelo da urbanização, e foi posta à venda imediatamente após a sua conclusão, 1904. Devido ao fracasso, foi adquirida por Gaudí em 1906, que se mudou para lá com seu pai, enfermo, e uma sobrinha, órfã.


O ambiente calmo e perto da natureza pareceu adequado à saúde de seu pai e morar no parque garantiria sua presença constante no "canteiro de obras". Contudo, o pai faleceu poucos meses depois, aos 93 anos, e sua sobrinha 6 anos depois, aos 36 anos. As freiras, que ajudavam nos cuidados com o pai e a sobrinha, continuaram ajudando-o com os serviços domésticos. Exceto com sua alimentação. Gaudí era vegetariano, mantendo uma dieta frugal e fazia questão de prepará-la. À saída de sua casa, havia uma imagem de Sto. Antônio, o qual saldava todas as vezes ao sair e ao entrar. Era muito religioso. Em seu quarto havia um genuflexório e um grande terço na parede, onde rezava todas as manhãs. E na casa havia um pequeno cômodo dedicado a pequenas liturgias.



Gaudí permaneceu ali até se mudar para a oficina da Sagrada Família no final de 1925, vindo a falecer em junho do ano seguinte, 3 dias após ser atropelado por um trem.



  • O Templo Expiatório da Sagrada Família... Putz! A Sagrada Família!!! Eu vou me abster de escrever sobre ela. Foi uma das coisas mais lindas que já vi na vida. Aqui vão algumas dicas sobre essa visita que não pode ficar de fora:
- Você não conseguirá comprar o ingresso pra entrar na hora. A visita tem "hora marcada". Aliás, é algo comum em lugares muito lotados, como o Parque Güel. Então, se vc não aceitou a dica acima, vá até a bilheteria e compre sua entrada. Independente de onde comprar (também tem pela internet), não faça como nós que "aceitamos" o horário de 18:45h, só para poder ir no mesmo dia ("O apressado come cru."). Escolha pela manhã (Que também tem a vantagem de ser mais vazio nos primeiros horários. O dia para os espanhóis começa às 9h. Os turistas lotam os locais à partir das 10h) ou no começo da tarde. Para que vc tenha tempo o suficiente.
- O guia da Sagrada Família falou que as pessoas costumam gastar 2h por lá. Mas nós gastaríamos mais. Como foi no fim da tarde, não conseguimos ver todos os anexos da igreja.
- Não deixem de visitar os anexos: sacristia, museu, loja de souvenir, cripta, etc.
- Os ingressos estão à partir de 18 euros (na bilhteria da própria igreja), mas como eu disse antes FAZER A VISITA COM UM GUIA ÁUDIO FAZ TODA A DIFERENÇA. Nada ali é por acaso, e saber o que significa desde a maior até a menor simbologia é estupendo! Também existem os guias (pessoas) especializados nesse tour (exterior e interior da catedral), o que deve ser ainda melhor (também com a disponibilidade de vários idiomas).

Desenhada pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí.  O projeto foi iniciado em 1882 e assumido por Gaudí em 1883, quando tinha 31 anos de idade, dedicando-lhe os seus últimos 40 anos de vida, os últimos quinze de forma exclusiva. A construção foi suspensa em 1936, devido à Guerra Civil Espanhola e não se estima a conclusão para antes de 2026, centenário da morte de Gaudí. 
A construção começou em estilo neogótico, mas o projeto foi reformulado completamente por Gaudí ao assumi-lo. O templo foi projetado para ter três grandes fachadas: a Fachada da Natividade, quase terminada com Gaudí ainda em vida, a Fachada da Paixão, iniciada em 1952, e a Fachada da Glória, ainda por completar. Segundo o seu proceder habitual, a partir de esboços gerais do edifício Gaudí improvisou a construção à medida que esta avançava.
Antes de morrer, percebendo que não estaria vivo até o fim da construção, Gaudí deixou tudo, tudinho detalhado de como a construção deveria ficar. Ele também formou uma esquipe de "discípulos" (arquitetos, artesãos, etc) para que dessem continuidade ao seu trabalho.


Fachada da Natividade, que já está terminada


Fachada da Paixão, também terminada


Fachada da Glória, ainda em construção. Será a entrada principal quando a Catedral estiver pronta


"Costas" da Catedral


 Interior da Catedral: 




As pilastras e o teto "imitam" uma floresta


Uma das portas de metal de uma das fachadas feita por um dos escultores, de diferentes nacionalidades, que trabalharam/trabalham no templo


Esta foto é um "brinde" pra ver quem descobre os "sinais" (não é nada dramático, tá?) da Esclerose em mim. Dica: são dois.

  • O Parque de Montjuïc é outra maravilha! Muitos jardins, um Forte e as Fontes mágicas são de encher os olhos. O truque é: subir até o Catillo De Montjuïc de ônibus normal mesmo e desce de teleférico. Fica mais barato. Ooouuuuu vc pode subir a pé... dizem que é sensacional. E eu acredito! Mas para uma esclerosada, uma mega caminhada em baixo do sol (o verão está começando, minha gente!)... boa sorte! E me contem como foi.


Olhem a vista!!


E o morador! 😍


Bom, a descida foi de teleférico. Só a volta, por pessoa, fica 8,20 euros.


Olha o medinho... 😖

E aí, por volta de 21h (sim, vc leu certo!) as pessoas se sentam na grande escadaria para ver o pôr do sol e, por volta de 22h, começa a dança das fontes mágicas!






  • Ah, nós também demos um pulinho na Playa Barceloneta, só pra dizer que molhamos os pés e lavamos nossas guias no Mar Mediterrâneo. Mas se tiverem tempo e vontade, existem praias mais bonitas e menos turísticas (menos cheias! 😏)



Claro que também fizemos outras pequenas coisinhas como nos perder pelo Barrio Gótico e pelas Ramblas, passar pela Catedral de Barcelona que, pelo horário (depois de 22h), já estava fechada, pelas ruínas de uma muralha romana com mais de 2.000 anos e muito mais! 😍


Catedral de Barcelona


Ruínas da muralha romana (olha eu bem miudinha no cantinho inferior esquerdo)


Ah! A gente também trabalhou, né pai?
(Reunião das Salas CIMNE)


E abrasileiramos um pouco num bar brasileiro, com pessoas da APEC


Temos certeza que a cidade tem MUUUITO mais a oferecer do que conseguimos aproveitar nesses dias. Mas foi sensacional! Conhecer esses lugares onde a História aconteceu, e estar com pessoas tão amadas e amantes foi sensacional.

Cara de um, gênio forte do outro! 😂


Como diz a Sol: nossa viagem foi muito Tempouzinho! 💞








Fonte:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Toledo
https://es.wikipedia.org/wiki/Paseo_de_Gracia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Templo_Expiatorio_da_Sagrada_Familia

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Ogum: o Conflito, a Disciplina e, por fim, a Evolução

Olá, pessoinhas!

Passamos uma semana um pouquinho conflituosa por aqui (E eu achando que não se sofria naZoropas... 😂).
Imaginem vcs: morar com os pais, irmãos, namorado (ao), esposo (a) não é fácil. Então morar com pessoas desconhecidas é menos fácil ainda. Agora adicione à essa mistura: pessoas de culturas diferentes + muitas pessoas.
Bom... é isso.

Decidimos por morar agora em outro apartamento. Tomara que desta vez dê certo.
Oremos! 🙏

Mas, para que isso acontecesse, para de fato resolvêssemos sair da nossa zona de conforto e também assumir nossos erros, foi necessário o "conflito". Como dirá o texto a seguir:
"Para qualquer processo de mudança, iniciação de um evento ou de um processo há conflitos para que ocorram os ajustes. Esses conflitos são necessários para que consigamos alcançar um próximo passo."
E
"Não há evolução, sucesso ou progresso sem disciplina e organização."
E tenho certeza que foi e é essa uma das vibrações que tem nos ajudado e nos movido.

Mas de quem é essa vibração?
Ogum, o Senhor da Forja.

E, antes de começar, os tópicos iniciais de praxe:

  • De modo geral, na Umbanda, e especialmente no Cabocla Jurema, não acreditamos que os Orixás sejam deuses, tal como ocorre no Candomblé. Portanto, não os cultuamos de tal forma. Acreditamos que eles são representantes dessas energias/vibrações divinas e se expressam através das mesmas. 
  • Muito gentilmente, o Téo disponibilizou seu email para possíveis dúvidas: teofiloneves@gmail.com. Desta forma, gostaria de pedir a quem fizer uso desta ferramenta que tenha bom senso. Afinal, este também é seu email profissional. De preferência, identifiquem o email em "assunto".
  • Segue abaixo um "mapa" dos 7 Chákras principais e os Orixás correspondentes. Lembrando que a cor na imagem não representa a cor do chákra, mas sim a cor do orixá representante.



LEMBRANDO QUE:

  • Aqui não há espaço para intolerância. Vc pode (e deve!) discordar. Porém, como este não é um espaço para debate, guardemos isto para um espaço conveniente.
  • Perguntas são muito bem vindas (que responderei à medida do que eu conseguir).
  • As práticas e percepções da Umbanda podem variar entre os diferentes terreiros.
  • Os textos aqui divulgados são de autoria de Teófilo Alves Neves que, indubitavelmente é inspirado pela Espiritualidade Amiga e serão transcritos na íntegra como me foram passados.
  • Os textos que serão publicados com este tema não têm o menor objetivo de "converter fiéis". Não acreditamos neste tipo de fé, mas sim em uma fé baseada na razão. O objetivo é divulgar uma Doutrina belíssima, que é baseada na paz, no amor e na caridade, mas que ainda é pouco conhecida e que, infelizmente, sofre com pré-conceitos. 
  • Por não serem textos apenas para os crentes nessa Dourina, é uma fonte interessante para aqueles que querem apenas matar a curiosidade.

E agora, com vcs:



OGUM



Guerra. Confronto. Demanda. Palavras que no contexto da Umbanda são quase que sinônimas de Ogum. Mas como algo divino, direcionado para o bem, por excelência, pode ter tais acepções?

Antes de nos dedicarmos a explicar tal questão, é necessário que façamos nossa costumeira referência aos orishás no culto de origem africana que aportou no Brasil. Ògún é para os cultos de origem yorubana, em princípio, o senhor da forja¹. Isso vincula a ele o ineditismo em ousar, em realizar e aprimorar as coisas de modo engenhoso. É Ògún que entrega aos homens a arte de elaborar ferramentas e armas preparadas pelo fogo e com o ferro. Alguns mitos afirmam que foi ele o primeiro orishá a pôr os pés na terra deste mundo recém-criado, com a finalidade de organizá-lo para semear a vida humana. Lembremo-nos que foi Oshalá quem descortinou as trevas, mas quem se lançou sobre a terra foi Ògún.

Com o passar do tempo o culto ao orishá que manipula o fogo e o ferro agregou sobre a figura de Ògún também a habilidade de guerrear, pois do confronto destes dois elementos se extraem armas de combate: espadas, escudos mais resistentes, pontas de flecha e de lança etc. Assim, a figura de lutador se mostrou mais evidente e vinculada ao orishá que a de ferreiro; e tendo as habilidades de um bom soldado Ògún é forte, destemido, audacioso e enérgico, tanto na defesa como no ataque. Sua
coragem e fúria são incomparáveis. É um vencedor!

São com esses atributos que no sincretismo o orishá foi conectado mais fortemente a São Jorge, o Santo Guerreiro, que em sua história diz que foi um legionário romano e em sua imagem figura enfrentando um dragão. Aqui também há, assim como no sincretismo Jesus-Orixalá e Maria-Yemanjá, um culto muito difundido nos terreiros de Umbanda a ponto de quando se quer representar a figura de Ogum no altar se utiliza da imagem de São Jorge.

Diante de todo esse perfil de Ogum voltemos à questão inicial: o que há de divino em um Orixá que se impõe pela força? De antemão ressaltamos a importância em relembrar que a Umbanda é uma religião sintética, de modo a capturar das doutrinas filosófico-religiosas que a inspiram seus elementos essenciais; assim, nos ensinos do Centro Espírita Cabocla Jurema, Ogum é a vibração planetária da ordem. Não há evolução, sucesso ou progresso sem disciplina e organização. Para qualquer processo de mudança, iniciação de um evento ou de um processo há conflitos para que ocorram os ajustes. Esses conflitos são necessários para que consigamos alcançar um próximo passo.

Vejamos o exemplo do mito sobre a forja de Ogum que ilustra muito bem que para do ferro, duro e sem forma, atingir um significativo padrão de resistência e corte precisa ser aquecido, derretido, fundido, dobrado, batido etc. Repeti-se diversas vezes o mesmo processo para que se tenha a forma desejada. Nada mais é que a disciplina e persistência para atingir as metas, os resultados. A força de Ogum está na disciplina que construímos para chegar em objetivos vitoriosos. A mesma correlação se pode fazer sobre o soldado em defesa ou em ataque: a determinação em atender o comando e a obediência às normas militares é fundamental para o sucesso de qualquer empreitada bélica. Disso é que extraímos que Ogum é a Lei, em sua compreensão prática, os desígnios de Zambi em seu fiel cumprimento. 

Para maior esclarecimento façamos distinção entre a vibração de Orixalá e Ogum. Na primeira maneja-se o objetivo, o direcionamento, o norte; na segunda, concentra-se na disciplina, na organização e na força que nos movimenta a alcançar a meta. Ambas as vibrações trabalham na Lei só que em Orixalá há o seu mandamento e em Ogum a sua efetiva aplicação.

Retomando, para a concretização da Lei necessita-se de muita força, de tal grandeza que é capaz de arrastar o que preciso for para que se efetive, de tal sorte que, quando se impera diante do caos ocorre muita confusão, normalmente fruto da desorganização presente no momento e que precisa desfazer-se para o domínio da ordem. Tal força é tão decisiva e contundente que promove mudanças, verdadeiras
revoluções na vida das pessoas e como, em regra, não alcançamos a dimensão dos mandamentos divinos e durante a demanda achamos que estamos em guerra e que todo confronto é ruim, o que é um equívoco.

Quando analisamos o processo de evolução científica, por exemplo, as principais conquistas se deram em razão da existência ou iminência de um conflito. O confronto exige de nós mudança para nos reposicionarmos diante do quadro grave que nos apresenta. Certamente nas grandes guerras, nas epidemias ou nos desastres que assolam a humanidade há muito do império da vibração de Ogum. Devemos nos atentar que muitos desses eventos são complicações da ação daninha do ser humano pelo mal uso de seu livre-arbítrio, o que não impede que Tupã permita a realização desses eventos para o aprendizado evolutivo ainda exigido num mundo de expiação e prova.

Caminhando para outro estágio de nosso estudo temos que o santuário natural mais afinado para a expansão da energia da vibração de Ogum é o campo. Entendemos como campo as porções mais planas de terra na qual a vegetação imperante é formada por gramas. O que mais destaca o campo é a capacidade de que tudo nele tem propensão para correr e se expandir, seja o vento ou o fogo. Nele não há barreiras ou limites, não a toa era o local ideal de combate para os exércitos mais disciplinados e preparados.

Ogum está fortemente ligado às vibrações ígneas. O fogo é ferramenta contundente de transformação física e astral, funcionando como elemento com alto grau de reforma energética. O fogo desintegra, expande e impulsiona energias. Dar o tom mais adequado é função bem exercida por espíritos finados com a Vibração de Ogum. Há, no entanto, várias manifestações em que movimentam mais outros elementos ou imperam em outros Santuários Naturais. Por isso, existem várias formas de Oguns, que inclusive são popularmente conhecidos: Ogum Beira-Mar (mar); Ogum Rompe Mato (matas); Ogum Megê (cemitérios e hospitais) e; Ogum Yara (rios). Em todos os casos, agem na expansão energética para realizar o choque da mudança, visto que Ogum é a vibração da Lei e da Ordem.

Face ao que foi exposto sobre a vibração, tamanha força e expansividade energética da vibração de Ogum, só encontra correspondência no sistema chácra no Plexo Solar.

Posicionado logo abaixo do fim do osso esterno, bem acima do estômago, é o centro energético responsável por coordenar os processos digestivos, portanto, é o possuidor de verdadeira usina de força de onde nosso organismo físico extrae grande parte da energia para a sobrevivência na matéria em consequência da absorção da nutrição alimentar.

O termo Plexo Solar faz uma referência direta a imagem vista por muitos videntes de que no local brilha uma energia tão forte que mais parece um Sol a se destacar em nosso organismo, assim o é por concentrar-se neste chácra muito conteúdo bioetérico derivado do processo digestivo, mas também por ser nele que se concentra o Poder Pessoal, que define em muito nosso ego e nossa autoconfiança.
Quando nos referimos a bioetérico, falamos da junção das energias orgânicas, vinculadas ao nosso corpo físico, biológico, e da sua contraparte astral fruto das energias absorvidas e dispersas pelo nosso corpo perispiritual, cujo conteúdo envolve também muita energia mental.

A autoconfiança está intimamente ligada à capacidade que temos de fazer valer nossa vontade ante as dificuldades do caminho. Com tal capacidade equilibrada nos mantemos motivados para atender àquilo que nos propomos a fazer, sendo capazes de movermos não só nós mesmos, mas também as pessoas que estão ao nosso redor. Quando bem inspirado é o chácra do otimismo e vibra na cor amarela.

No entanto, o desequilíbrio desse centro energético transforma a autoconfiança em arrogância e em desrespeito quanto à opinião ou vontade do outro. Na outra ponta do problema, quando vibra em baixa energia apresenta-se por submissão, fragilidade e por um sentimento de incapacidade, exatamente pela falta de confiança em si.

Trata-se de um chácra inferior (ver definição nos capítulos anteriores), responsável em manejar bastante conteúdo emocional principalmente os frutos de nossa expansão energética direcionada sobre o que fazer e como realizar as coisas que queremos. É no plexo solar que congregam as energias de nossas alegrias das conquistas e as tristezas das frustrações; local em que ambas as energias em desequilíbrio nos encaminham a tal estado de ansiedade que tendem a atacar nosso
corpo físico engendrando, por exemplo, gastrites e úlceras em seu principal órgão de correspondência.

Tanto o chácra como o Orixá Ogum, seu regente, estão sempre associados ao nosso direcionamento no trabalho de cunho profissional, pois muito do foco para realizarmos as coisas em nossas vidas está vinculado a esta energia que alimenta nossa vontade em vencer e nos mantêm disciplinados e decididos no que almejamos. É uma vibração sempre de intenso e constante movimento.

Numa concepção astrológica de Umbanda Ogum representa-se por Marte, o planeta vermelho, que simboliza potência energética e a iniciativa.

Na prática ritual do terreiro Cabocla Jurema utiliza-se a cor vermelha para representar Ogum em referência à luta e à guerra, conflitos necessários para que Lei de Oxalá se realize.

Portanto, para vencermos as demandas: Salve Ogum! Ogunhê!

Goiânia, 02 de março de 2017.

(¹) 1 Local onde metais, especialmente ferro, são fundidos e moldados e se produzem objetos metálicos; frágua, fundição; 2 Conjunto de fornalha, bigorna, fole e malho, os instrumentos de trabalho do ferreiro; 3 Armadilha com que se apanha caça grande; forje.




segunda-feira, 29 de maio de 2017

Amsterdã, uma viagem bacanuda

Oi, gente!

Estava na dúvida se eu deveria fazer algum post dando dicas sobre nossas viagens aqui pela Europa. Mas nossos dias na Holanda foram tão legais que eu resolvi compartilhar as experiências que tivemos.

A capital, Amsterdã, é o máximo! Mas não aproveitamos da melhor forma por falta de tempo e, principalmente, planejamento. Então, seguem algumas dicas:




  • Antes de ir faça um "pré-roteiro" e o revise diariamente, para reajustar o que preferir e para que não perca tempo. 
  • Se sua grana permitir compre os free cards, que são cartões com valores proporcionais ao tempo que poderá ser usado. Eles te ajudam a economizar tempo e dinheiro.

  • Por exemplo, compramos um cartão que custou 12,50 euros e, no período de 48h, pudemos andar de trem (tão ou mais comum que o ônibus) à vontade.

    Existem também os cartões com variados valores, para variados períodos, com os quais vc pode entrar em váááários museus, passear de barco pelo canal e muito mais! Este nós não compramos e eu só digo o seguinte: ainda bem que arrependimento não mata!




  • Todos os museus oferecem tickets online, mas precisa ser comprado com antecedência. Normalmente são mais baratos e evitam um tempão na fila.
  • Informe-se na internet sobre os locais que quer ir. 
  • Não deixem de Visitar


  • 🌷KEUKENHOF

    Este parque, situado ao sul da Holanda, é conhecido como O Jardim da Europa. É o maior jardim de flores do mundo!!! E adivinhem quais são suas flores "carro  chefe"?
    As minhas preferidas! 🌷
    Eu nem sabia da existência do parque. Mas o Tiago me fez uma surpresa maravilhosa!!! Foi difícil escolher as fotos para colocar aqui...


    Melhor surpresa ever!





















    Keukenhof está aberta anualmente desde a última semana de março até meados de maio. O melhor período para ver as tulipas é em meados de abril, dependendo do tempo. Para quem tiver interesse, este é o site do parque.


    🏠 CASA DA ANNE FRANK

    Localizada em Amsterdã, é um dos principais pontos turísticos da cidade. Então, se vc for esperto: compre pelo site, porque a compra também precisa ser um tanto antecipada. Mas é claro que vale enfrentar a fila, como fizemos. Até porque ela não demora tanto.

    Entre 2014 e 2015, eu li o diário dessa da menina Anne. E me apaixonei. Depois disso, fiquei meio obcecada por ela... até comprei mais alguns livros que abordavam sua vida.
    Não sei descrever a emoção que foi quando entrei no primeiro cômodo e li:

    "Um dia essa guerra horrível terá acabado. Chegará o tempo em que seremos pessoas novamente e não apenas judeus! Nós nunca seremos apenas holandeses, ou apenas ingleses, ou qualquer outra coisa, nós seremos sempre judeus também. Mas então, vamos querer ser."


    Essa foto foi aquele momento vergonhoso que o segurança disse: não pode tirar fotos!
    (Turistas que não prestam atenção às placas! 😖)

    Mesmo para quem não conhece a história: vale à pena! O Tiago não conhecia, não queria entrar e no final: adorou!
    Aqui está o site.


    🌻 MUSEU DE VAN GOGH

    Também localizado em Amsterdã, na Museumplein (a praça dos museus), o museu de do pintor Vicent van Gogh contém a maior coleção de pinturas de Vincent van Gogh no mundo, com mais de 200 pinturas de Van Gogh e muitos desenhos e cartas.
    Sem contar a lojinha de souvenir! 😍
    E vale a visita até mesmo para quem não é fã de obras de artes e/ou não conhece sua história.
    O site. 

    Na entrada



    "Foto Oficial!


    ⛫ ZAANSCHE MOLEN

    Zaanse Schans é uma pequena aldeia nas margens do rio Zaan, com verdadeiros moinhos de vento que ainda estão em atividade. A paisagem é complementada com casas verdes super bonitinhas e vários pequenos museus típicos. A aldeia nos dá uma imagem do que deve ter sido à sua época (séculos XVII e XVIII).







    Bom, e sobre os demais lugares conhecidos?
    Fomos em alguns. Mas eu gostei mais desses aí de cima e dos passeios "no interior".

    Falando em interior, como ficar em Amsterdã era bem mais caro, ficamos numa cidade chamada Haarlem. Encontramos essa família perfeita: Trinidad (mãe), Victória e Elena (filhas) e Bruno (um labrador lindo e carinhoso de viver!). Uma casa tão "cosi" (uma palavra que significa algo como aconchegante), uma varandinha romântica conectada a um parque verdiiiinho e com um rio... nem sei descrever tanta beleza! E a família? Fizemos uma amizade imediata, começando pelo fato delas nos buscarem no aeroporto pelo "preço do amor", passamos algumas noites conversando, dividimos refeições, sobremesas típicas e no final, Trinidad me deu uma caneca de sua própria coleção (já me explico) e uma caixa de chocolates belga. É AMÔ OU NUM É? 

    Sobre as canecas: eu já faço coleção de canecas há alguns tantos anos. Mas quando eu cheguei à casa das meninas... TRINIDADE TEM UMA COLEÇÃO DE CANECAS DE PAÍSES E CAPITAIS, UMA LINHA DA STARBUCKS! Claro que foi a primeira coisa que vi quando cheguei por lá. E fiquei encantadíssima!
    Trinidade é de Boracay, Filipinas. E saca só a caneca que ela me deu:


    💙

    Depois de tanta gentileza e afinidade, combinamos de enviá-la a caneca de São Paulo, quando chegarmos ao Brasil..

    E é isso: não bastasse conhecer tantos lugares bacanudos, eu ainda conheço gentes bacanudas! 💞




    domingo, 14 de maio de 2017

    Yemanjá para o Dia das Mães

    Oi, gente!

    Eu me envergonho em dizer, mas esqueci nosso estudo!!! 😟
    Desculpem-me!

    Bom, mas o legal é que hoje, dia que eu lembrei, é dia das mães aí no Brasil (aqui é no primeiro domingo que maio) e teremos o estudo sobre nossa Mãe Yemanjá. Não é significativo e lindo? 💓

    E, claro!, antes de passar para o texto do Téo, seguem os tópicos iniciais:

    • De modo geral, na Umbanda, e especialmente no Cabocla Jurema, não acreditamos que os Orixás sejam deuses, tal como ocorre no Candomblé. Portanto, não os cultuamos de tal forma. Acreditamos que eles são representantes dessas energias/vibrações divinas e se expressam através das mesmas. 
    • Muito gentilmente, o Téo disponibilizou seu email para possíveis dúvidas: teofiloneves@gmail.com. Desta forma, gostaria de pedir a quem fizer uso desta ferramenta que tenha bom senso. Afinal, este também é seu email profissional. De preferência, identifiquem o email em "assunto".
    • Segue abaixo um "mapa" dos 7 Chákras principais e os Orixás correspondentes. Lembrando que a cor na imagem não representa a cor do chákra, mas sim a cor do orixá representante.

    LEMBRANDO QUE:

    • Aqui não há espaço para intolerância. Vc pode (e deve!) discordar. Porém, como este não é um espaço para debate, guardemos isto para um espaço conveniente.
    • Perguntas são muito bem vindas (que responderei à medida do que eu conseguir).
    • As práticas e percepções da Umbanda podem variar entre os diferentes terreiros.
    • Os textos aqui divulgados são de autoria de Teófilo Alves Neves que, indubitavelmente é inspirado pela Espiritualidade Amiga e serão transcritos na íntegra como me foram passados.
    • Os textos que serão publicados com este tema não têm o menor objetivo de "converter fiéis". Não acreditamos neste tipo de fé, mas sim em uma fé baseada na razão. O objetivo é divulgar uma Doutrina belíssima, que é baseada na paz, no amor e na caridade, mas que ainda é pouco conhecida e que, infelizmente, sofre com pré-conceitos. 
    • Por não serem textos apenas para os crentes nessa Dourina, é uma fonte interessante para aqueles que querem apenas matar a curiosidade.

    YEMANJÁ




    “Quanto nome tem a Rainha do Mar?
    Dandalunda, Janaína, Marabô, Princesa de Aiocá,
    Inaê, Sereia, Mucunã, Maria, Dona Iemanjá”
    (Iemanjá Rainha do Mar . Comp. Pedro Amorim /
    Sophia De Mello Breyner)


    Comecemos o estudo desse Orixá pelo primeiro trecho desta música cantada por Maria Bethânia, uma das principais interpretes brasileiras, por exprimir bem as muitas conexões que popularmente se tem da Mãe D’Água. Na canção os nomes que lhe fazem referência são diversos exatamente pela enorme popularidade do culto em várias formas religiosas da cultura brasileira, mas que têm um motivo central que uni todas essas acepções de Yemanjá: o Amor.

    Os mitos de origem yorubanos colocam-na muitas vezes como um orishá inicial. Está entre àqueles que foram os primeiros a serem criados por Olorum (Deus), sendo ela responsável pelo manejo das forças virginais da água que fez surgir todo mundo de matéria no qual vivemos. O que não surgiu pela intervenção direta de Yemanjá o foi pela ação de outros orishás, que em sua grande maioria, na mitologia, são seus filhos, tendo como pai o orishá Oshalá. Isto coloca-a como a grande mãe do mundo, ante um panteão tão recheado de orishás em que cada um apresenta um perfil de defeitos e virtudes que os colocam sempre em conflito, ela é a única que tem o respeito de todos. O candomblé, por isso, a tem como um ícone de união e de proteção à família. 

    Maternal, protetora da família e mãe de todos são características reverenciadas em Maria de Nazaré, mãe de Jesus. No processo do sincretismo histórico os negros e os missionários cristãos fundiram as duas figuras a tal ponto que muitos terreiros de Candomblé e Umbanda não as distinguem em seus cultos rituais. Algo muito similar ao que acontece com Oxalá(Orixalá) e Jesus. Ambas, também, apresentam um papel de intercessora dos que sofrem. Por exemplo, conta-se uma lenda que o orishá Omolu, quando nasceu, sua mãe, Nanã Buruque, percebendo-o muito doente e cheio de feridas e prestes a morrer, deixa-o na praia para morrer com o subir da maré. Yemanjá, ao perceber do que se tratava intervém salvando-o e cuidando de suas feridas; passando a criá-lo como seu filho.

    Outro mito diz que, apesar de não ser a orishá que cuida da gestação, é a que está vinculada ao parto, sendo quem pega o bebê do ventre quando do nascimento, daí ser conhecida como a “Senhora da Cabeça”. É aqui que surgem mais vínculos com Maria de Nazaré, especificamente com a imagem de Nossa Senhora da Luz (ou da Candelária ou das Candeias), por estar atrelada a ideia de proteção ao parto. Por isso, em 2 de fevereiro, dia em louvor à referida Santa, ocorrem as maiores festas em reverência a Yemanjá.

    Fizemos, até aqui, diversas referências nas lendas yorubanas e no sincretismo para assentarmos que, sinteticamente, nos preceitos do Centro Espírita Cabocla Jurema, Yemanjá é o trono divino do afeto, da compaixão e da união. Sendo Deus o amor, Yemanjá é a força que nos toca para sentirmos o outro, o próximo. Não se trata de uma “deusa” ou de uma santa, mas de uma vibração de Zambi.

    É a vibração que promove a integração sentimental do indivíduo com a sua coletividade. É ela que impera quando estamos em comunhão com nossa família. É a energia divina que nos coloca voluntariamente à disposição em ajudar nos trabalhos de caridade. É nessa força que se funda as afinidades “inexplicáveis” entre pessoas que há pouco se conhecem, mas se compreendem, como nas ditas almas gêmeas.

    Muitos espíritos vinculados a essa linha original se dedicam ao socorro daqueles que, sedentos de carinho e desesperados pelos sofrimentos causados por seu karma constituído, necessitam do acolhimento e do olhar de atenção desmuniciado de julgamentos. Somente com o afago e o ouvir de suas lamúrias. Como sabiamente declarou nosso querido Preto Velhos Pai Benedito quando do celebrar de uma união em casamento: “Quem ama, filho, não julga!”.

    Outra conexão da síntese do orishá com sua atuação real na Umbanda é com as águas, sejam elas do mar ou dos rios. A água é o elemento natural de manejo mais concentrado de Yemanjá. Servem para refrescar o queimar dos sofrimentos, sejam eles de natureza mental ou bioetérica, mas também para higienizar. Da mesma maneira que o mar tem o poder de tragar todos os dejetos que descem pelos veios dos rios, a água, em sua contraparte astral, pode magnetizar uma infinidade de energias deletérias para que as mesmas sejam absorvidas pela terra após a decantação vibratória.

    Não se pode esquecer que para a ciência água é vida, inclusive, a mais aceita teoria da evolução biológica no planeta Terra indica que as primeiras formas de vida surgiram nos mares. Será mera coincidência a lenda da Orishá yorubana dizer-nos que a vida na matéria surge do mar, o Santuário Natural de Yemanjá? O estudo sintético do Centro Espírita Cabocla Jurema entende que não, pois somente o poder condensador das águas salgadas poderiam dar condições para o princípio do acoplamento bioetéricoespiritual (corpo físico + perispírito + espírito) no engendrar da vida.

    Na manifestação do terreiro, os guias espirituais que trabalham no trono de Yemanjá apresentam-se, em regra, de modo muito sutil, suave. Esbanjando gentileza, tranquilidade e inspirando a segurança de um lar. Tal energia é tão sublime que, em trabalhos comuns, tais entidades no processo da incorporação(psicofonia) mais intuem seus “cavalos” do que os dominam, mesmo em se tratando de médiuns inconscientes (mecânicos). Agora, quando a imantação e limpeza energética exige maior força, seu movimento é intenso e compassado como o quebrar das ondas.

    Yemanjá é, portanto, a manifestação do sentimento e a seu turno expressa-se através do chacra Cardíaco, vital para o movimento dos fluxos energéticos do corpo etérico e do corpo físico, por manifestar-se preponderantemente pelo coração e pulmões.

    Trata-se de um centro de equilíbrio dos demais chácras servindo como amenizador e condensador dos conflitos expressados por estes. Enquanto o chacra Laríngeo age como intermediário entre razão e emoção, que culminará na forma como nos expressamos com o mundo externo pela comunicação, o Cardíaco absorverá toda a carga emocional e racional formada pelo indivíduo, de modo a processar tudo em forma de sentimentos.

    Para não restar dúvidas quanto a diferença: pelo Laríngeo é como exteriorizamo-nos; o Cardíaco é como interiorizamos a todas as questões que nos acercam. Enquanto o primeiro é meio de expressão dos outros chacras superiores(coronário e cardíaco) e de todos os quatro inferiores(cardíaco, plexo, sacral e básico), o segundo é meio de impressão dos três superiores e dos três inferiores. Por um comunica-se, pelo outro emociona-se. Percebam que a ação, como sempre, é integrada!

    A título de exemplo, é o que ocorre com nossas memórias mais marcantes, sejam saudosas ou traumáticas, pois são fruto de fatos recheados das sensações do momento. Tais sensações são exatamente a condensação das energias mentais advindas dos demais chacras o que promove uma expansão de tal ordem neste centro de força que faz dele o de maior dimensão. Para se ter uma ideia, quando uma pessoa encarnada é vista em desdobramento no plano espiritual o vínculo com seu corpo físico, que é percebido pelo cordão de prata¹, tem seu ponto de maior nitidez na região do Cardíaco.


    Portanto, nada como estarmos envoltos de bons sentimentos, pois isto nos possibilita dar um tom mais brando aos problemas que nos cercam. Com o chacra Cardíaco equilibrado é possível amenizar emocionalmente o fluxo dos demais chacras. Isso é muito nítido na prática do atendimento do terreiro Cabocla Jurema, pois quando o consulente está em significativa desordem emocional, as entidades, em regra, direcionam os passes magnéticos para a região do Cardíaco. Nesse processo, mesmo os demais chacras estando em desequilíbrio, o cardíaco distribuirá para cada um a energia na medida da necessidade.

    Estamos diante de um chacra que quando imanado positivamente reflete em gratidão e generosidade, que são formas de movimentar o perdão e a união do seu Orixá regente. No entanto, quando desequilibrado promove o contrário, incitando egoísmo e ressentimento.

    Verde é a cor deste chacra quando em equilíbrio.

    Há quem prefira dizer que é a vibração do amor, no entanto, para buscarmos uma compreensão mais transparente desta força e deixarmos bem claro que todas as sete linhas de Umbanda nos direcionam para o Amor, fazemos questão de diferenciar os termos para evitar confusões terminológicas pela falta de melhor vocabulário.

    Dentro de uma concepção astrológica de Umbanda, Yemanjá se faz representada pela Lua, por ser este o astro que tem relação direta com o ritmo das marés e com nosso sentimento.

    A tradição do Centro Espírita Cabocla Jurema dedicou a Yemanjá a cor azul para suas velas e demais representações por causa do “azul das águas”.

    Uma pergunta específica pode não ter sido respondida: afinal, Maria de Nazaré é a Orixá Yemanjá? Não. Maria de Nazaré não é a Orixá original Yemanjá, mas é sim um dos espíritos que trabalham sob este trono e tem uma atuação imensurável no plano espiritual, responsável por uma legião de seareiros sob o nome de “Servos de Maria”, que prestam socorro, por exemplo, a espíritos suicidas. Deixemos claro que ser a genitora de Jesus não era missão para ser desempenhada por qualquer pessoa. Maria foi a eleita por já ter adquirido em existências anteriores bagagem moral afinada com a hierarquia crística, a inteligência dos Orixás, pois já alcançou a angelitude. Lembremos que a vibração das águas é original, por isso anterior até mesmo às primeiras formas de vida no planeta.

    Goiânia, 10 de fevereiro de 2017.

    (¹) Filamento energético de origem astral e física que se faz visível, para os espíritos e para alguns médins, em tons de cor prateada. É consequência da comunhão das energias oriundas das conexões entre o corpo físico e o corpo espiritual (perispírito) quando do separar dos dois corpos em processos de sono ou desdobramento. Portanto, é uma consequência e não um corpo em si, sendo possível somente em seres encarnados, visto que os desencarnados não mais possuem corpo físico. Não é possível rompê-lo, “cortá-lo” ou enrolá-lo, como muito temem! Só se desconecta com o fim da existência física (morte).

    quinta-feira, 4 de maio de 2017

    Madri, Mateus Ferreira e Belchior

    Olá!

    Vcs sabiam que a cidade de Madri é feita para as pessoas que vivem aqui! (rimou... rs)

    Desde que cheguei, percebi como os moradores da cidade são importantes.
    Isso, parece óbvio. Mas, se vc mora no Brasil, pense bem: o que sua cidade oferece pra vc?

    Não trata-se apenas de praças bonitas, mas de uma estrutura que facilita o dia a dia e também, pasmem!, o bem estar e o lazer das pessoas!
    E por que lazer é tão importante?
    Lazer é sanidade mental!!! 
    É sério. Um cidadão sem estresse produz muito mais! Um cidadão que sabe que o Estado lhe dá qualidade de vida, produz com prazer! Além disso, quase todas as atividades de lazer estão ligadas à cultura e ao conhecimento.

    Se vc acha que sua cidade te oferece lazer, pense novamente!
    Não é ser pessimista. Pelo contrário! E vou logo dizer porquê.
    Primeiro farei uma lista de coisas legais que existem aqui:

    • Existem uns carrinhos smart que ficam na rua. Qualquer um pode usar! Parece que é preciso baixar um aplicativo no celular, pagar uma pequena taxa e voilà!;
    • O mesmo para bicicletas. E tem pontos para pegar e devolver as bicicletas em toda parte;
    • Existem parques IMENSOS para a população frequentar. Com verdadeiras e imensas áreas verdes. E nestes parques têm: bibliotecas, museus, banheiros limpinhos, pontos para locar bicicletas, áreas exclusivas para idosos, crianças e cachorros, wi-fi...;
    • Falando em wi-fi, tem de graça em vários lugares!;
    • Livros e ingressos para teatro, ópera, cinema, shows,,, são acessíveis!
    Mas o que me incentivou a fazer esse post foi o seguinte:
    Em Madri existe a Oficina Municipal de Información y Orientación pala la Pobación Inmigrante.
    E o que é isso? De forma resumida, até porque não conheço bem, é um centro de ajuda para os estrangeiros. Como disse, conheço pouco, mas sei que oferecem orientação profissional e  curso de espanhol.
    Agora pasmem novamente: eles atendem até mesmo as pessoas que estão em situação ilegal. Isso não é legal?
    Tá... o que isso tem a ver comigo?


    Tandaaaaaammm! \o/

    Hoje fui até lá fazer minha matrícula. Eles abrem as inscrições na primeira quinta-feira de todos os meses. Tinha uma fila grande, mas não existe seleção. Todo mundo pode fazer! Desde que tenha vagas, eu acredito. Eles apenas conversam com vc para saber em qual nível entrará.

    Fui bem na minha "mini entrevista". A moça que me atendeu riu de mim e comigo, disse que me achou muito engraçada e falou para minha futura nova professora algo no sentido de que as aulas serão animadas comigo (me chamou disfarçadamente de palhaça? 😂)

    Agora vejam a parte otimista:
    Claro que fico muito chateada por pensar que no Brasil ainda estamos longe de termos governantes e cidadãos assim. Sim, porque os cidadãos daqui aproveitam bem e SEM ESTRAGAR tudo que lhes é oferecido e devolvem, cada um à sua maneira, tudo à cidade.
    Sim! Meu primeiro pensamento é "Nunca mais quero voltar pro Brasil!".
    Mas, além de minha vó me matar se eu não voltar, meu pensamento seguinte é: "Preciso voltar para o Brasil e mostrar como a vida pode ser diferente!".
    E isso me enche de esperança!

    Essa semana estive conversando com minha mãe. Ficamos muito tristes com as notícias lá no Brasil. E ela me disse: Filha, estou cansada... penso, inclusive, em sair do país. 
    Mas eu pensei: Se nós, que queremos mudança, que pensamos à frente, que queremos ir à luta... se as pessoas como nós forem todas embora do país, quem serão as pessoas que vão ficar Brasil?

    Claro, não só o Brasil! Mas este é meu país!

    A situação tenebrosa que aconteceu com Mateus Ferreira me deixou mais que revoltada. Deixou-me profundamente triste.
    Gostaria, inclusive, de deixar aqui minha homenagem a esse rapaz bonito. Sim, fisicamente. Eu não o conheço. Mas, segundo fotos e testemunhas, ele estava ali apenas protestando pelos NOSSOS direitos (o que é garantido pela Constituição Brasileira). E é TÃO triste ver comentários como "Não precisava do policial fazer isso, mas..." ou pior: "Bem feito!"; "Se estivesse estudando, isso não teria acontecido!"; "Olha a cara de comunista!".



    Fica aqui minha homenagem a este belo rapaz. Que a Espiritualidade esteja com vc e sua família! 💗


    E a outra notícia que me deixou triste foi o desencarne de Belchior. 


    O engraçado é que eu não sabia que gostava tanto de suas músicas. Na minha adolescência,  implicava quando  minha mãe o ouvia. Mas com a notícia, coloquei suas músicas no YouTube para para ouvir e: EU CONHEÇO TODAS! E chorei... chorei.

    Pra quem não conhece, aí vão as minhas preferidas:







    E a mais conhecida:


    Bom, e aí descobri uma coisa:
    Sabe aquela música famosérrima Como Nossos Pais "da Elis Regina"?
    Não é dela. É do Belchior!
    E esta é a versão dele. 💜

    E meu coração, que anda tão doído das dores do mundo, tão sensível e sedento de esperança, fez uma conexão. Vou deixá-los com uma imagem que diz por si.


    Precisamos mudar!
    Precisamos de amor. 💓